Galeria de arte e showroom de design no Distrito Criativo, na Zona Norte de Porto Alegre
Fancisco Pinto é um capricorniano discreto, paciente e bom ouvinte. Depois que falei com ele, percebi quantos projetos bacanas de lojas o arquiteto projetou pela cidade. Bem, mas o assunto aqui é o novo escritório dele. No Distrito Criativo que está virando marca da Zona Norte, ele ousou transformar uma oficina de conserto de máquinas rotativas em um showroom especial da sua obra.
– Não é simplesmente mostrar o trabalho, mas mostrar interagindo – diz.
O visitante penetra no seu universo criativo arquitetônico e de design ao adentrar a grande porta do espaço. E faz isso cercado pela história contada pelas paredes preservadas em grande parte muito próximas do aspecto original.
Foto: Marilene bitencourt / DivulgaçãoDurou um ano a obra de preparação do ambiente, mais do que o esperado pelo arquiteto/cliente. Além do interior dos 190 metros quadrados, houve intervenção na lateral do prédio, para onde se abrem panos de vidro. Chapas de zinco compõem uma espécie de mural que reafirma a identidade do lugar. Ele não seguiu um caminho fácil:
– Queria fazer uma coisa urbana, mas talvez fosse um sonho de criança de ter um lugar que não seja padrão.
Francisco se identifica com as ideias do arquiteto chileno Alejandro Aravena, ganhador do prêmio Pritzker, o Oscar da área, no que se refere ao "conceito de não botar abaixo" o preexistente e "explorar o tempo", uma "coisa inteligente". O resumo seria praticar o sustentável propósito de dar prioridade a preservar sempre o que for possível.
– Trabalho com o erro – ressalta.
Neste momento, está curtindo uma certa arrumação nos seus ambientes de trabalho reais e virtuais. Quando falamos pela primeira vez sobre o espaço na Zona Norte, o site franciscopinto.arq.br estava em construção. No tempo transcorrido entre a conversa, o envio das fotos com a grife de Marilene Bitencourt e, agora, entrou no ar o site novo. Como no ambiente real, tudo integrado. Na empresa, trabalha no espaço de escritório, além de Francisco, a arquiteta Carla Hertz.
Uma novidade: a partir das 11h de 20 de agosto, na área da frente (alto) abrirá um espaço de eventos cool com galeria de arte, Noventamil,com acesso agendado pelo fone (51) 3333-2016.
Preto no branco
Foto: Marilene bitencourt / DivulgaçãoNa área ao fundo do prédio fica o escritório: parte tem as paredes com reboco pintado de preto e parte exibe uma área branca contrastante, com massa corrida no acabamento. Ali também tem a marca do designer Francisco Pinto: a mesa Provence (abaixo), lançada em uma Mostra Casa&Cia. Nos ambientes de estar (E), junto às cadeiras Favela e Célia, dos Campana, fazem bonito, entre outras peças, as mesas da sua coleção Commodities
Arte e design
Foto: Marilene bitencourt / DivulgaçãoTodas as peças de design estão à venda e, em agosto, abre uma mostra de fotos de Celso Chittolina na nova área de galeria de arte, de registros feitos na Amazônia
Como ter a parede da moda, com tijolos à vista
Tanto no caso deste projeto ao lado, onde as paredes não tinham reboco, e algumas foram mantidas inclusive com as marcas do uso, quanto nos casos em que a ideia é descascar uma parte da parede ou toda ela, é preciso tomar cuidados – para evitar que os tijolos soltem pó e para que fiquem como você quer, mais ou menos tratados.
As arquitetas Luana Fernandes e Carla Tortelli, da Arquitetando Ideias – site arquitetando ideias.com.br – já usaram paredes com tijolos naturais e revestimentos de várias formas e ensinam como fazer:
A) Como tratar a parede que já tem os tijolos aparentes
1) Lixar os tijolos para remover resíduos de resinas anteriores (caso haja).
2) Limpar a parede para remover o pó.
3) Aplicar o acabamento para selar a parede de tijolos.
Opções de acabamento para manter o aspecto natural dos tijolos:
1) Sem brilho: Jimo água-repelente. Lata de 5 litros, R$ 90. Aplicar com trincha, rolo, pincel ou pistola apenas uma demão até cobrir bem a superfície. Rende de 6 a 10 metros quadrados, dependendo da superfície.
2) Leve brilho: Suvinil Silicone. Lata de 5 litros, R$ 150. Aplicar com rolo, pincel ou pistola apenas uma demão até cobrir bem a superfície. Rende de 6 a 17 metros quadrados, dependendo da superfície. Ambos produtos vêm prontos para o uso.
Custo médio da mão de obra por metro quadrado: R$70 a R$100.
B) Quando a parede precisa ser descascada para ter os tijolos à vista
1) Descascar a parede até chegar no tijolo.
2) Passar uma escova de aço para remover os resíduos de cimento.
3) Limpar a parede para remover o pó.
4) Aplicar o acabamento para selar a parede sem reboco.
As opções de acabamento para manter o aspecto natural dos tijolos são as mesmas do item anterior.
Custo médio da mão de obra por metro quadrado: R$ 180 a R$ 230.
C) Como revestir uma parede com plaquetas de tijolos
1) Picar a parede para aumentar a aderência da argamassa.
2) Assentar as plaquetas com cimento-cola (argamassa de cimento).
Este tipo de acabamento não exige aplicação de selador.
As plaquetas custam em média R$ 150 a R$ 300 o metro quadrado.
Custo médio da mão de obra por metro quadrado: R$ 300 a R$ 450 (material e mão de obra)