A pirâmide virou pião
"Esse aumento", disse dra. Margareth, "se deveu a intervenções sanitárias, como vacinação em massa, sobretudo na primeira infância, saneamento básico, ainda que desigual, expansão do SUS (Sistema Único de Saúde) e avanços na medicina, mesmo em regiões remotas. Nas próximas duas décadas, seremos mais idosos acima de 60 anos do que jovens menores de 15".
A dúvida é se estaremos equipados para essa nova situação. Segundo o gerontólogo Alexandre Kalache, citado por ela, países desenvolvidos como o Japão e os europeus primeiro enriqueceram para depois envelhecer, e o Brasil envelhece marcado pela pobreza. "Ser velho e pobre no Brasil é o mais triste destino", disse dra. Margareth. "Numa sociedade tão excludente como a nossa, o velho e pobre se torna um fardo para a família, ainda que, com frequência, se veja o triste paradoxo de uma modesta pensão ou aposentadoria desse idoso ser a fonte de renda primordial para aquele núcleo familiar."
Dra. Margareth continuou: "Num país 90% urbanizado como o Brasil, o cenário urbano é hostil para as pessoas mais velhas. Precisamos de reformas públicas, de exercer grande pressão sobre os transportes, as cidades e as moradias, para adaptá-los a elas. Envelhecer em boas condições permite o acesso a cuidados de toda ordem, e até prazeres, que seguramente adoçam a perda de autonomia". Leia mais (08/13/2026 - 08h00)