‘Cabeças-de-cão’, os guardas pessoais de Ivan, o Terrível
Com a "oprítchnina", o temido tsar criou uma nova classe social, uma guarda particular e uma polícia secreta, tudo condensado em uma instituição para lidar com elementos indesejados.
Quando o líder militar de origem nobre Andrêi Kurbski traiu seu amigo mais próximo, Ivan, em 1564, o último tomou uma atitude sem precedentes.
Os “oprítchnik” viviam em uma parte separada da cidade, em diversos distritos centrais de Moscou (ao redor da rua Stári Arbat e da rua Nikítskaia).
Depois de controlar a área, o tsar ordenou a construção de um novo palácio protegido por muros altos.
Isso remetia à lealdade deles ao tsar e sua prontidão a dilacerar qualquer “inimigo” da Rússia com a ferocidade de um cachorro e varrê-los para fora do país.
A razão política por trás da “oprítchnina” era prevenir a dissidência no país e manter o controle. Foi então que surgiu o termo “crime contra a soberania” pela primeira vez como base para repressão – legalmente, ele só passou a ser usado em 1649.
O tsar Ivan, o Terrível e Maliuta Skuratov visitando o boiardo Morôzov. Pintura de Klavdi Lebedev. / Foto: Legion Media
“A acusação era evidentemente absurda e controversa”, diz o historiador Vladímir Kobrin.
Eles foram encharcados em líquido inflamável, incendiados e jogados no rio Moscou ainda vivos antes de serem executados por homens em barcos.
O código legal de Ivan, o Terrível fez da pena de morte uma das punições mais comuns.
“A vontade da soberania é a lei e é um mistério”, diz o personagem principal do romance “Dia do Oprítchnik”, que conta a história do guarda favorito do tsar, Maliuta Skuratov.
A Oprítchnina na corte de Ivan IV. Pintura de Nikolai Nevrev. / Foto: Legion Media
A “oprítchnina” acabou enfraquecendo a ponto de não poder se defender de inimigos externos. Um ano após a devastação de Novgorod, em 1571, o Cã da Crimeia atacou Moscou e a “oprítchnina” mal conseguiu defender o trono, por isso, Ivan, o Terrível colocou o grupo em debandada e executou seus oficiais.
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