Um preâmbulo para as imensas contribuições de Affonso Celso Pastore
Alice Canabrava nasceu em 1911, formou-se na Escola Normal e foi aprovada em concurso para professora do ensino primário. No seu começo, a USP oferecia bolsas de estudos para professoras do ensino público, e Canabrava, aprovada, foi aluna dos professores visitantes que formavam as novas gerações, como Fernand Braudel.
Em sua tese de doutorado, de 1942, a professora Alice, como era conhecida, revirou de cabeça para baixo a história da região do Rio da Prata. O trabalho pioneiro destacou a relevância do comércio entre as colônias portuguesa e espanhola, quase sempre por vias ilegais, para o desenvolvimento da região.
Canabrava revelou-se parte da liga dos historiadores de jaleco branco, aqueles que mergulham em arquivos para coletar informações.
Seu trabalho surpreendeu. A tradição das ciências sociais no Brasil em meados do século passado, e da historiografia em particular, iniciava-se com uma tese; uma narrativa sobre o processo de desenvolvimento do país, com regras e lógicas que dariam conta do atraso brasileiro. Os dados, esparsos, eram então utilizados para ilustrar ou justificar a tese geral. A jovem pesquisadora fazia o inverso. Buscava documentos, dados e evidências para então contar do ocorrido.
Quatro anos depois, Canabrava candidatou-se à vaga da Cátedra em História da América, apresentando mais um trabalho cuidadoso e surpreendente, desta vez sobre a indústria do açúcar na primeira metade do século 18. Obteve a livre-docência e a nota mais alta do concurso, mais foi preterida para a vaga por decisão do presidente da comissão. Leia mais (07/21/2019 - 02h00)