Entre Inter e CBF, ou entre CBF e qualquer clube, sempre desconfio da CBF
Numa das áreas nobres do Beira-Rio, assistido por jornalistas, o presidente Marcelo Medeiros falou sobre a realidade financeira do Inter, o passado e o futuro. Citou números que os colorados não gostaram de ouvir. A sexta-feira, 31 de março, terminou como a quinta-feira. Lotada de más notícias.
Eleito em dezembro passado com mais de 90% dos votos, o advogado disse que o déficit do clube na atual temporada alcançará um recorde histórico. Falou em R$ 58 milhões. O Inter nunca deveu tanto em 107 anos de vida. O 108º aniversário será comemorado no dia 4 de abril.
Medeiros recebeu o Inter da gestão Vitorio Piffero com R$ 25 milhões em contas atrasadas, fora outros graves problemas. Jogadores, ex-jogadores, ex-funcionários e fornecedores bateram nas portas do Beira-Rio em busca dos seus direitos. Ainda batem.
Em três meses de gestão, Medeiros tenta recuperar o clube, ajustar as dívidas, buscar novos recursos e reencontrar o caminho vencedor, mas o passado recente é um fantasma. Fora as dívidas preocupantes, o Inter está na Série B. O STJD comprovou a falsificação de parte dos e-mails utilizados em processos de interesse do Inter, o que os advogados gaúchos negam. O clube foi ao TAS em busca de seus direitos no "Caso Victor Ramos", o que faz bem.
A CBF marcou o Inter, que está na Suíça, na paleta. Covardia. Os clubes é que precisam varrer do mapa do futebol a cúpula da CBF. Desunidos, seus presidentes deixam que Marco Polo Del Nero, ao lado de 27 federações estaduais, faça o que bem entende no comando da entidade, até mudar as regras da eleição presidencial.
Entre o Inter e a CBF, ou entre a CBF e qualquer clube, eu sempre desconfio da CBF. João Havelange, Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero me obrigam a desconfiar todos os dias, manhã, tarde e noite.
A CBF não pode punir (marcar, perseguir) um clube só porque ele luta por seus direitos, aqui ou na Europa, longe ou perto da Fifa.