Síria americana
A decisão do Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela, órgão do chavismo-madurismo, de privar o parlamento de suas prerrogativas constitucionais é ilegal, autoritária e converte o país numa Síria latino-americana.
Há três dias, a mesma corte havia decidido retirar a imunidade dos parlamentares e autorizar o presidente Nicolás Maduro a processar oposicionistas — quaisquer oposicionistas — por crimes militares e de terrorismo. Nos próximos dias, o famigerado Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin) percorrerá residências e locais de trabalho à caça dos que não aceitarem a escalada ditatorial.
As prisões venezuelanas, já abarrotadas de homens e mulheres detidos por não se curvar a Maduro, receberão uma nova fornada de hóspedes acusados como "traidores" e "lacaios da direita e do imperialismo americano". Enquanto isso, os elogios com que o presidente venezuelano brindou Donald Trump nas semanas mais críticas para o governo americano passam por bom bolivarianismo.
Não haverá paz nem ordem na Venezuela enquanto Maduro continuar no Palácio Miraflores, mas a oposição de Leopoldo López e Lilian Tintori tem pouca esperança a oferecer a seu povo. Há apenas 15 anos, esses oposicionistas que hoje denunciam o "golpe" do Tribunal Supremo apoiavam a quartelada que tentou derrubar Chávez com o beneplácito da inteligência americana e deu com os burros n'água. Será preciso aparecer uma nova oposição, sintonizada com as necessidades mais fundas do povo venezuelano, para que o país volte a respirar esperança. E a hora para sua aparição é já.