Rogério Faccin: Victor Ramos e a luta pelo direito
Muita coisa tem saído na mídia sobre a atitude colorada desde que o Inter decidiu seguir adiante com o Caso Victor Ramos, interpondo recurso junto à Corte Arbitral do Esporte (CAS), na Suíça.
Em sua maioria, os comentários são de reprovação, uma vez que, conforme é repetido como uma espécie de mantra, "o Inter caiu no campo, portanto deve subir também no campo".
Há opiniões de que seria um constrangimento o Inter recorrer à Fifa, pois não seria correto jogar a Série A vencendo nos tribunais. Feitos esses esclarecimentos iniciais, vamos ao tema deste texto.
O jurista alemão Rudolf Von Ihering escreveu um livro chamado A Luta pelo Direito, onde ele defende que o direito é um dever de cada um de nós. Quando nos defrontamos com alguma injustiça, temos não somente o direito de lutar, mas sim, o dever, pois, quando deixamos de lutar por algo que consideramos justo, enfraquecemos a sociedade.
Para Ihering, a luta pelo direito se resume a um dever que o indivíduo tem consigo próprio e para com a sociedade. Ao lutar por seu direito particular, o cidadão está defendendo o seu povo, ou mesmo, sua nação. Assim também é o contrário. Todo homem deve lutar contra a arbitrariedade por uma questão não só moral, mas também social. Será exemplo aos demais e aumentará o resguardo do direito da sociedade, que tem por base o trabalho incessante de todo o povo e do conjunto de instrumentos público do país.
Afirma, ainda, o jurista alemão, que devemos defender nosso direito, seja ele qual for, pois temos esse dever, porque nossa existência moral está essencialmente ligada à sua conservação. Desistir de defesa equivaleria a um suicídio moral.
Penso ser este justamente o caso envolvendo o Inter. O direito/dever do clube de lutar nasceu no momento em que tomou conhecimento da maneira como ocorreu a transferência de Victor Ramos ao Vitória. Soma-se a isso à acusação leviana da CBF de que o Inter havia falsificado e-mails, a fim de garantir documento probatório para embasar sua defesa. Ora, não recorrer após sofrer uma injusta, leviana e tendenciosa acusação vinda de uma instituição que não detém qualquer legitimidade moral para fazê-la, seria a pior de todas as derrotas.
Deste modo, diante de tal circunstância, não restou à direção colorada outro caminho que não fosse ao TAS. Assim, independentemente do resultado que virá deste recurso, já cumpriu o Inter com seu dever junto a toda comunidade, sobretudo a colorada, nos termos dos ensinamentos do jurista alemão.