Escritor gaúcho João Gilberto Noll morre aos 70 anos em Porto Alegre
Reconhecido por sua extensa obra literária, o escritor João Gilberto Noll teve sua morte confirmada pela família na manhã desta quarta-feira. Segundo familiares, a causa do falecimento ainda não foi confirmada oficialmente, mas a suspeita é de mal súbito. O velório está previsto para começar às 10h, e o enterro será às 18h no Cemitério João XXIII.
Na terça-feira, o escritor comandaria um curso no espaço multicultural Aldeia, no bairro Santana, em Porto Alegre, mas não apareceu. Amigos também não conseguiram contato por telefone. No fim da noite, a sobrinha Julia Noll encontrou o escritor desacordado em seu apartamento. Nesta manhã, Luiz Noll, o irmão do autor, confirmou o falecimento em postagem no Facebook.
– João Gilberto Noll, meu grande amigo e irmão, nos deixou – escreveu o familiar na rede social.
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Um dos principais autores da literatura contemporânea brasileira, Noll contabilizou em sua carreira, de mais de 30 anos, cinco prêmios Jabuti e 18 livros publicados – 13 romances, três livros de contos e duas experiências voltadas para o público infantojuvenil. Entre os principais livros, estão O Cego e a Dançarina, Harmada e Hotel Atlântico, que chegou a virar filme.
O escritor ficou conhecido pelo seu trabalho singular com a linguagem, que tenta apreender imagens e narrativas em fluxo de consciência, mas trabalhadas de modo poético e musical, revelando influências de autores como Clarice Lispector e Raymond Carver.
Além disso, Noll é também muito citado por nomes da nova geração como influência. Autores como Marcelino Freire e Daniel Galera já o apontaram como uma referência importante. Apesar de recluso, o escritor também se mantinha ativo em oficinas literárias, estimulando aspirantes a escrever. Em 2011, foi o homenageado da 4ª FestiPoa Literária, em Porto Alegre, por conta de sua carreira e por fomentar a literatura em nível local.
O início da carreira literária se deu em 1980, depois de frequentar o curso de Letras da UFRGS, onde foi colega e amigo de Caio Fernando Abreu, e trabalhar como jornalista no Rio de Janeiro e em São Paulo. Seu primeiro livro, o volume de contos O Cego e a Dançarina, recebeu os prêmios Jabuti e da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). A obra mais recente foi o romance Solidão Continental, lançado em 2012.
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