É assim que 23 países se sentem em relação aos direitos trans
Metade dos brasileiros diz conhecer uma pessoa transgênero.
Assim como os direitos das pessoas transgênero se tornaram uma questão importante nos Estados Unidos, muitos outros países estão debatendo suas políticas para a identidade de gênero.
Em 2016, a Noruega se juntou a um número pequeno — mas que vem crescendo rapidamente — de países em que mudar de gênero legalmente é tão simples quanto preencher um formulário. Mais tarde, uma comissão do Parlamento Britânico pediu que o Reino Unido seguisse o exemplo. Na Índia, legisladores estão analisando leis para proibir a discriminação e criar ações afirmativas para pessoas transgênero em resposta a uma ordem da Suprema Corte. Além disso, há um esforço global para remover a condição de ser transgênero do catálogo de doenças mentais mantido pela Organização Mundial de Saúde.
A fim de mapear a percepção das atitudes globais sobre os direitos dos transgêneros, o BuzzFeed News e a empresa de pesquisas Ipsos fizeram uma parceria com o Williams Institute, da UCLA Law School (EUA), para conduzir uma pesquisa inédita em 23 países sobre o tema.
Bulent Kilic / AFP / Getty Images
Classificamos o apoio aos direitos trans em cada país a partir das respostas dos entrevistados a seis perguntas. As perguntas diziam respeito ao uso de banheiros públicos, à cirurgia de mudança de sexo, ao casamento, à paternidade e à proteção contra a discriminação.
A Espanha e a Suécia — países que há muito tempo estão na vanguarda dos direitos LGBT na Europa — ficaram no topo da nossa lista.
A Suécia foi o primeiro país da Europa Ocidental a adotar, em 1972, um procedimento para permitir que as pessoas mudassem legalmente de gênero, tornando-se um modelo para outras nações.
A Argentina, que ocupa o terceiro lugar no ranking, estabeleceu um novo padrão com uma lei sobre identidade de gênero, adotada em 2012, que leva em conta a "autodeclaração": pela primeira vez no hemisfério ocidental, os indivíduos podiam mudar legalmente seu gênero simplesmente preenchendo um formulário — sem a necessidade de cirurgia ou autorização do médico.
Quatro países da Europa, desde então, adotaram leis de autodeclaração inspiradas na da Argentina. Hoje, pelo menos 18 países estão considerando propostas semelhantes, de acordo com o grupo de defesa Transgender Europe.
A Rússia ocupa o último lugar em quase todas as avaliações da pesquisa, talvez por causa da campanha antiLGBT em torno da aprovação da chamada lei da propaganda gay em 2012. O legislador por trás dessa norma — o legislador estadual de São Petersburgo, Vitaly Milonov — supostamente está trabalhando em um projeto de lei que permitiria ações judiciais contra médicos que fazem cirurgia de mudança de sexo.
BuzzFeed News
Infelizmente, restrições técnicas e financeiras nos impediram de fazer uma pesquisa que fosse verdadeiramente representativa de todas as partes do mundo.
Nos concentramos em países com elevada penetração da internet, onde as pesquisas on-line tendem a representar de forma mais confiável a população em geral. Como resultado, as nações menos desenvolvidas, especialmente na África e na Ásia, estão sub-representadas em nossa amostra.
Realizamos pesquisas on-line em 16 países com acesso generalizado à internet. Também pesquisamos seis países em que a penetração de internet é um pouco menor. Nesses locais, os resultados fornecem uma pista sobre o que as pessoas pensam, mas podem não ser muito representativos da opinião pública. Além disso, na Índia, autorizamos pesquisadores a conduzir entrevistas pessoalmente por causa da baixa penetração da internet no país.
A Ipsos considera que os resultados dessas pesquisas são precisos dentro de uma margem de 3,1 a 4,5 pontos percentuais, dependendo do tamanho da amostra em cada país. (Você pode ler mais sobre nossa metodologia de pesquisa aqui (em inglês).)
Como a palavra "transgênero" (ou seu equivalente em outros idiomas) não é amplamente conhecida em muitos países, perguntamos aos entrevistados sobre suas atitudes em relação às pessoas "que se vestem e vivem como determinado sexo, mesmo que tenham nascido com outro." Também usamos a palavra "sexo", em vez de "gênero", ao longo da pesquisa porque muitas pessoas não entendem a diferença entre essas palavras e porque muitos idiomas não as distinguem.
Manjunath Kiran / AFP / Getty Images