Carnaval nas grandes cidades depende da iniciativa privada
Em tempos de vacas magras, com o encolhimento da arrecadação provocado pela crise nos governos federal e estadual, prefeitos de grandes cidades do Rio Grande do Sul estão certos de que o dinheiro disponível em seus caixas será insuficiente para custear as festas de Carnaval.
A exemplo de Porto Alegre , as prefeituras de Santa Maria e Caxias do Sul, cidades que juntas somam 756 mil habitantes, também decidiram não colocar verba pública em desfiles ou eventos do gênero. Para que os desfiles se realizem, os prefeitos Jorge Pozzobom (PSDB) e Daniel Guerra (PRB) estão empenhados em pedir à iniciativa privada o apoio e patrocínio para as escolas de samba e o custeio da infraestrutura.
— Saúde, Educação e Segurança. A prioridade será destinar todo e qualquer recurso para essas áreas. O Carnaval deve ser autossustentável — afirma Guerra.
Se o dinheiro arrecadado junto aos empresários for insuficiente, a festa pode ser cancelada.
O prefeito de Canoas, Luiz Carlos Busato (PTB), decidiu reduzir o investimento no setor: vai patrocinar duas muambas em diferentes bairros, e deixar de custear o desfile das escolas de samba. Segundo Busato, a verba será destinada para a abertura de vagas em creches.
Sublinhado durante a campanha eleitoral, o discurso de contingenciamento ganhou apoio da população, que avalizou a ideia elegendo prefeitos comprometidos com o controle severo do erário.
Em Pelotas, durante a gestão de Eduardo Leite (PSDB), no ano passado, a verba do Carnaval foi reduzida em 80% e o dinheiro economizado direcionado para a abertura de uma UPA 24 horas, custeada, em parte, pela prefeitura. Por esse e outros fatores, Leite conseguiu eleger a sucessora, a então vice-prefeita Paula Mascarenhas (PSDB).
O Carnaval fora de época mais tradicional do Rio Grande do Sul também poderá ser atingido pela falta de dinheiro. Em Uruguaiana, apesar de o orçamento prever gasto de R$ 650 mil com a festa, o prefeito Ronnie Mello (PP) corre atrás de empresas interessadas em patrocinar as estruturas do desfile. Com uma dívida de R$ 182 milhões com diversos credores, a prefeitura usará a Lei Rouanet para a captação de recursos para os desfiles e direcionará a verba pública para o pagamento de fornecedores.
Aliás
A crise financeira pode atingir o funcionamento da próxima Festa da Uva, em Caxias do Sul. O prefeito Daniel Guerra (PRB) quer mais dinheiro da iniciativa privada e menos da prefeitura, que costuma investir R$ 4 milhões a cada dois anos.