Reajuste médio das mensalidades escolares é quase 50% superior à inflação
Quem tem filhos em escolas particulares do Rio Grande do Sul deve se preparar para gastar mais em 2017. Conforme levantamento divulgado nesta segunda-feira pelo Sindicato do Ensino Privado (Sinepe/RS), o aumento médio das mensalidades será de 11,5% no próximo ano, quase 50% a mais do que a inflação. Em 12 meses — fechado em outubro —, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou em 7,87%.
Com a alta anunciada para 2017, as mensalidades do Ensino Básico estão acima da inflação há pelo menos seis anos seguidos, desde 2012. O valor do último reajuste foi apresentado pelo sindicato depois de um levantamento com 101 instituições de diferentes regiões do Estado, que representam 30,9% do total de associados da Educação Básica.
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Segundo o presidente do Sinepe/RS, Bruno Eizerik, as mensalidades escolares são fixadas por cada instituição sem interferência do sindicato. Ele acrescenta que o reajuste leva em conta a planilha de custos e os investimentos previstos pelas escolas, além da avaliação da comunidade em que a instituição está inserida.
— Se o colégio quer construir um laboratório e um ginásio novo, por exemplo, pode ter um custo 30% superior, mas é preciso avaliar se esse aumento será suportado pela comunidade escolar — explica Eizerik.
Por isso, no levantamento feito pelo sindicato, uma escola afirmou que manterá a mesma mensalidade deste ano, enquanto outra disse que aplicará um aumento de 21,5%, o maior entre as que responderam ao questionário.
Em geral, segundo as escolas, o custo que mais aumentou em 2016 foi com pessoal, que representa cerca de dois terços do orçamento. Os gastos com infraestrutura, como reformas e ampliações, tiveram o segundo maior aumento. Depois dessas despesas, as contas públicas foram responsáveis pelo terceiro maior aumento no custo de manutenção dos colégios.
Para 2017, além dos custos com pessoal e infraestrutura, as escolas incluíram no reajuste a previsão de aumento no investimento em tecnologia. Isso porque, conforme Eizerik, os parques tecnológicos dos colégios costumam ser renovados anualmente ou, no mínimo, de dois em dois anos.
— Os equipamentos de informática subiram mais do que o IPCA, o que pode explicar um reajuste maior. Além disso, é preciso medir o valor das mensalidades com a qualidade do serviço ofertado. Cada vez mais, os pais exigem maior qualidade, o que impacta em mais investimentos — completa.
Embora as mensalidades venham crescendo acima da inflação no Estado, os salários dos professores não têm ultrapassado o índice, afirma o Sindicato dos Professores do Ensino Privado (Sinpro/RS). O diretor da entidade Marcos Fuhr diz que, nos últimos três anos, entre 2014 e 2016, os docentes tiveram apenas a reposição da inflação como reajuste salarial.
— Isso significa que não houve ganho real, embora a jornada de trabalho tenha sido crescente — afirma Fuhr.
Ainda segundo o diretor, o próprio Sinpro realizará um levantamento do reajuste nas mensalidades das escolas, para depois iniciar a campanha salarial, em 2017.
Foto: ReproduçãoEscolas registraram aumento na inadimplência
Apesar da alta na inadimplência dos pagamentos das mensalidades, que passou de 7,3% em 2015 para 11,04% em julho de 2016 (aumento de 50%), Eizerik afirma que isso não representa grande impacto no reajuste. O motivo seria o fato de a maioria dos pais colocar as parcelas em dia no final do ano, para poder rematricular os filhos nas instituições.
— O último gasto que as famílias cortam é a educação, é um investimento com retorno — salienta.
Conforme a lei que regulamenta os reajustes das mensalidades escolares (Lei 9.870/99), o valor do reajuste deve estar de acordo com as despesas da escola e só poderá ser realizado uma vez a cada 12 meses. A escola também precisa apresentar a planilhas de custos para comprovar os gastos com investimentos em pessoal e aprimoramentos no processo didático-pedagógico. Se não concordarem com o aumento, os pais podem tentar negociar descontos com a escola e têm direito de entrar em contato com o Procon.