Anderson Cruz: de Abu Dhabi a Lucas do Rio Verde
Foi graças à condição de presidente do clube, tanto na campanha que livrou o Inter do inferno do quase rebaixamento, em 2002, quanto na gloriosa conquista do Mundial, no ano de 2006, que Fernando Carvalho publicou o livro De Belém a Yokohama, obra na qual ele narra suas impressões ao longo desta emocionante trajetória.
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Como ocorre com dirigentes vencedores, ganhou status de Deus junto ao torcedor. E os deuses, sabemos, tornam-se, para muitos, imunes a críticas. E foi assim, com esse estigma — o de salvador e de infalível — que Carvalho voltou ao clube em 2016, acompanhado de sua Swat, tendo a missão de evitar o pior, ou seja, livrar o clube do desterro do qual escapamos somente na última rodada do Brasileirão de 2002 na capital paraense. Porém, o até então intocável dirigente trouxe também Celso Roth — o mesmo técnico que havia sido demitido por ele há 14 anos, quando o time já se encontrava na zona de rebaixamento. O mesmo Roth que, anos depois, viu cair no colo a chance de ganhar uma Libertadores, em 2010, e assim o fez, para, na sequência, impor ao torcedor colorado um dos maiores vexames da sua história: perder para o Mazembe, em Abu Dhabi, e ficar fora da decisão do Mundial.
Para muitos torcedores, esta deveria ter sido a última página da história de Roth no Internacional. Não foi... Naquela ocasião, Piffero, hoje novamente presidente, adotou, como último ato de sua gestão, a renovação do contrato do treinador desafeto da torcida, deixando-o como herança para seu sucessor, o qual, meses depois, teve que demiti-lo. Agora, sim, último capítulo da era Roth, certo? Errado, como vimos no início do parágrafo!
Desde que retornou ao clube, neste dramático 2016, Carvalho passou a adotar uma postura que beirou a esquizofrenia. Em campo, seu técnico ia acumulando insucessos, e logo fez do Z-4 sua morada, ampliando a antipatia dos colorados, que passaram a exigir sua saída. Nos microfones, Carvalho, na condição de vice de futebol, tentava reger a torcida, pedindo apoio — o qual, a propósito, em nenhum momento faltou. Porém, talvez tentando dar mostras de quem é que realmente manda, manteve o técnico, em lugar de demiti-lo após a derrota para o Palmeiras. Concedeu a Roth longos 11 dias para, na prática, só piorar o que já estava ruim.
Somente depois do desastroso empate com a Ponte Preta aconteceu o que todos podiam prever: o dirigente finalmente decidiu encerrar mais essa passagem do agora desafeto de 10 entre 10 colorados. Faltando, com o de ontem, três jogos! Talvez já não haja mais tempo de salvar o Inter. Mas suficiente para Carvalho escrever os primeiros esboços de seu segundo livro: De Abu Dhabi ao interior do Brasil.
*ZH ESPORTES