Inflexão
As duas últimas semanas têm marcado uma inflexão de conduta do governo Temer, passada desapercebida.
A Lava-Jato segue o seu curso inexorável, nenhum partido está sendo poupado. O PT já paga por todos os seus crimes e malfeitos, tendo sido, nas eleições municipais, reduzido a um pequeno partido. O PP foi igualmente atingido. Agora, o PMDB entra na alça de mira, devendo ser seguido pelo PSDB. As prisões dos ex-governadores Anthony Garotinho e Sergio Cabral são um sério alerta do que está por vir. O país caminha para a dissolução de sua classe política.
O governo Temer estará, muito provavelmente, sob tensão, com ministros sendo também atingidos. Quanto mais sérias forem as acusações, acompanhadas de suas respectivas provas materiais, mais difícil ficará governar se a atual equipe for mantida. A base aliada, por sua vez, terá deputados e senadores, dos mais diferentes partidos, sob as mais diferentes formas de investigação e condenação.
Neste contexto, a aprovação das reformas será muito prejudicada, sobretudo a previdenciária e a trabalhista. Há um problema de timing aqui envolvido. Quanto mais tardar o encaminhamento dessas reformas, mais problemática tornar-se-ão as suas respectivas aprovações.
Há uma correlação que deve ser observada, pois ela dita o quadro de andamento das reformas. Quanto antes elas forem feitas, menor impacto terá a Lava-Jato sobre elas. Quanto mais tardarem, mais a Lava-Jato pode atingi-las, vindo mesmo a inviabilizá-las, dada a desordem política daí resultante.
Houve, neste sentido, uma inflexão da postura governamental. O efeito benéfico da Lava-Jato, embora indireto, é claro. Antes, falava-se de tempo para a discussão ou, mesmo, de uma "Reforma da Previdência possível". Agora, passou-se a falar de uma verdadeira Reforma da Previdência para tirar o país do buraco em que o PT o colocou. E, mais importante ainda, de uma reforma que será enviada à Câmara dos Deputados ainda no início de dezembro.
A modernização da legislação trabalhista, tão necessária tanto para empreendedores quanto trabalhadores, geradora de renda e emprego, agora volta a entrar na pauta. O ministro Ronaldo Nogueira tem feito avanços significativos nesta área.
Se o tripé PEC do gasto público, reforma previdenciária e modernização da legislação trabalhista for de fato implementado o ambiente de investimentos no Brasil mudará completamente. E as chances de sucesso do governo Temer serão muito maiores.
Leia mais colunas em
zerohora.com/denisrosenfield