Empresários apoiam com ressalva pacote do governo do RS
Embora demonstrem concordar com a maior parte das medidas anunciadas pelo Piratini, as associações empresariais também fazem ressalvas a alguns pontos do pacote. Em nota, a Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul) declarou apoio "irrestrito" ao pacote do governo, mas a presidente da entidade, Simone Leite, admite que, em algumas questões, serão buscadas alterações no decorrer das negociações na Assembleia.
A Federasul é favorável ao enxugamento de secretarias, fundações e autarquias por entender que o Estado deve se ater aos serviços básicos. Também concorda com o aumento da contribuição previdenciária de 13,25% para 14% e o repasse aos demais poderes de acordo com o ritmo da arrecadação. Mas demonstra desconforto com a redução de 30% dos créditos fiscais presumidos e antecipação do recolhimento de ICMS pela indústria do dia 21 para o dia 12.
— As empresas já estão sangrado e esse será mais um grande esforço. Mas sabemos que todos, também nós da área empresarial, precisaremos dar mais uma cota de sacrifício, caso contrário chegaremos ao caos. Se conseguirmos diminuir isso em cinco dias, já seria um ganho — diz Simone.
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A Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul (FCDL-RS) também sustenta que as medidas "representam a única alternativa possível, atualmente, para superar este grave problema", mas é outra a temer os efeitos da antecipação do ICMS na economia.
Procurado, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Heitor José Müller, preferiu não se manifestar. O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico e Eletrônico do Estado (Sinmetal), Gilberto Petry, diz concordar com a extinção de estruturas que representam mais gastos do que ganhos para o Estado, mas demonstra preocupação com o recolhimento antecipado de ICMS.
— Entendemos a dificuldade do Estado, mas setor já está descapitalizado. Muitas empresas vão ter de ir ao banco — diz Petry, referindo-se aos problemas de caixa do setor.
O presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Carlos Sperotto, também apoia o pacote, mas faz ressalvas. Uma delas é a extinção da Fundação de Economia e Estatística (FEE):
— Ainda não identificamos a razão. A FEE é atuante e respeitada — pondera Sperotto.
Apesar de ser voltada ao setor primário, Sperotto diz não que não via outra saída para Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro) que não fosse a extinção devido "ao grau de desmobilização" da estrutura. A hipótese de federalização da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) é vista com desconfiança porque a proposta não é nova e o próprio governo federal está se desfazendo ativos na área.