Ricardo Felizzola: sustentabilidade
Eventos geralmente demarcam pontos de reflexão em nossas vidas. Os bons, como a auspiciosa realização da Olimpíada, depois dos temores típicos originados no cenário atual do Brasil, estabelecem condições de otimismo com a certeza de que podemos fazer coisas de impacto, impressionando o mundo. Já eventos ruins, como os que acontecem na segurança do Rio Grande do Sul, podem originar alterações bruscas no rumo do que teoricamente estaria funcionando para dar conta daquilo.
Ocorre, porém, que não é um evento único, positivo ou negativo, que define um resultado estratégico, duradouro e sustentável. Uma execução primorosa de uma Copa do Mundo ou Olimpíada não vai determinar um bom resultado continuado na gestão de nossa Nação. Pode se tratar de um esforço concentrado, num momento especial, e não do estabelecimento de boa rotina em todos os pontos que fariam diferença para melhorar o Brasil. O mesmo serve para uma falha pontual que determina a perda de uma vida por latrocínio, ela não significa necessariamente que a partir dali, com alguma disposição imediata, vai se evitar que, de novo, algo de ruim aconteça.
A análise ampla de vários eventos é que vai determinar a verdadeira causa a ser atacada e, aí sim, com uma coletânea completa, obtendo-se dados consolidados, pode-se ter uma boa possibilidade de determinar o que fazer.
A indústria da droga progride ao nosso redor. Um produto barato se espalha numa população que enfrenta dificuldades nas regiões mais pobres da metrópole. O exército de quem aqui age aumenta em número e poder. Do outro lado, as forças normais de segurança do Estado definham: aposentadoria dos quadros, diminuição numérica por falta de recursos e impossibilidades diversas simplesmente por falta de orçamento.
Mais um fenômeno que demonstra a insustentabilidade de nosso modelo, que privilegia benefícios para uma minoria, com maior carga da maioria, na necessidade de pagar mais impostos gerando mais receita para cobrir despesas que não podem diminuir por conta de direitos mal calculados. Trabalhar estrategicamente no estancamento disto é que vai realmente influenciar no Estado e no país para gerar o tão querido desenvolvimento sustentável.
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