Conheça os objetivos e regras ainda por definir no acordo do clima
O acordo de Paris fixou um marco geral para lutar contra o aquecimento global, deixando muitos pontos em suspenso sobre os objetivos de elevação da temperatura, do limite de emissões ou sobre a ajuda financeiras.
A comunidade internacional se comprometeu a limitar a alta da temperatura abaixo da meta anterior, de 2º C, e manter os esforços para alcançar o objetivo de 1,5º C.
A menção de 1,5º C foi uma luta dos países pobres e dos estados insulares, os mais expostos às mudanças climáticas. Mas os especialistas duvidam de sua viabilidade.
Para não superar os 2°C, o IPCC, a autoridade científica sobre o clima, considera que seria preciso reduzir as emissões como mínimo entre 40% e 70% antes de 2050.
A dificuldade vem também do fato de que não existe um objetivo obrigatório por país: o acordo indica somente que os países buscam uma "limitação das emissões no prazo mais curto" e "reduções rápidas a continuação".
Para encontrar um equilíbrio entre emissões e absorção de gases de efeito estufa há duas correntes: quem aposta no fim das energias fósseis e quem defende o desenvolvimento da técnica de captação e armazenamento de CO2 para poder explorá-los.
Dos 195 países, 189 anunciaram medidas para reduzir suas emissões antes de 2025 ou 2030: esses compromissos evitariam a elevação entre 4º C e 5º C no planeta se não houvesse políticas climáticas, mas colocariam a perigosa trajetória de alcançar os 3º C. Daí, a necessidade de revisar os compromissos nacionais.
No entanto, a primeira revisão está prevista para 2025, uma data muito tardia para respeitar o objetivo dos 2º C.
Por isso, em 2018, está prevista a organização de um encontro para fazer um balanço coletivo, no qual se convidará os países a atualizar seus compromissos para 2020 e vai se requerer que comuniquem antes desse ano sua estratégia para diminuir suas emissões de carbono até 2050.
O acordo de Paris prevê que os países se atenham às mesmas regras de inventário de suas emissões e de suas ações, apesar de estar prevista uma certa flexibilidade, segundo a capacidade dos países.
A transparência diz respeito à ajuda financeira aos países do sul por parte dos países do norte, que devem prestar contas de seu apoio a cada dois anos.
Em 2009, os países ricos prometeram que sua ajuda aumentaria a 100 bilhões de dólares por ano em 2020 para financiar a transição energética. O debate sobre as ajudas continua em aberto.
Aposta-se primeiro em um equilíbrio entre a adaptação (ao impacto do aquecimento) e à atenuação (redução das emissões).
Segundo a OCDE, só se destina 16% das ajudas à adaptação.
Além dos países desenvolvidos, foi pedido a vários emergentes (como China, Coreia do Sul ou Cingapura) que ajudem com um apoio financeiro.
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