Prova para Trump e Clinton em novo dia de primárias nos EUA
Donald Trump espera um triunfo, Hillary Clinton, uma vitória, mesmo que apertada: os eleitores republicanos da Carolina do Sul e os democratas de Nevada votam neste sábado nas primárias para as presidenciais de novembro nos Estados Unidos.
As mesas de votação na Carolina do Sul abriram de manhã cedo e fecharão às 19h00 locais (22h00 de Brasília), e em Nevada os democratas iniciaram seus caucus (assembleias de eleitores) às 11h00 locais (17h00 de Brasília).
Grandes filas de eleitores eram vistas em diferentes localidades de Las Vegas, a cidade dos cassinos em pleno deserto de Nevada, para participar destas assembleias, que podem se estender por várias horas.
Hillary e seu adversário, o senador por Vermont Bernie Sanders, fizeram uma última visita à cafeteria dos funcionários do cassino Harrah's, em Las Vegas, com vinte minutos de diferença. Este era um dos seis hotéis da famosa rua principal da cidade, onde os funcionários participavam da consulta democrata.
"Preciso da sua ajuda na sala de conferências às 11 da manhã", repetia Clinton, ovacionada pelos funcionários, latinos na maioria.
O dia promete responder algumas interrogações no processo das primárias, que se prolonga até junho e de onde sairão os candidatos à Casa Branca dos partidos Democrata e Republicano.
O grupo de pré-candidatos republicanos vai se afunilar? No começo chegaram a ser 17, mas agora só restam seis sobreviventes das primárias em Iowa e em New Hampshire, os primeiros dois estados que se pronunciaram.
O magnata Donald Trump se mantém líder nas pesquisas, depois de uma semana em que o homem de negócios lançou críticas por todos os lados, com alvos variados: do papa à empresa Apple.
Uma vitória clara na Carolina do Sul consolidaria sua posição de favorito para levar a indicação do Partido Republicano.
"Estamos prontos para assumir um risco com Trump", afirmou Lynn Derrick, dirigente regional da empresa Oracle. "Transformou em sucesso tudo o que tocou", afirmou.
O senador Ted Cruz pisa nos calcanhares de Trump. Cruz é o ultraconservador preferido pela direita cristã evangélica que venceu em Iowa e que dá por certo continuar na competição, aconteça o que acontecer na Carolina do Sul.
Os candidatos restantes - Kasich, o senador de origem cubana Marco Rubio, o ex-governador da Flórida Jeb Bush e o médico aposentado Ben Carson - esperam obter um resultado honrável neste dia que justifique manter suas campanhas.
As pesquisas dão uma vantagem a Rubio, filho de imigrantes cubanos, para quem um segundo lugar poderia significar uma vitória. A popular governadora da Carolina do Sul, Nikki Haley, e muitos outros líderes do estado deram seu apoio ao aspirante mais jovem à Casa Branca, de 44 anos.
Hillary Clinton tem a obrigação de ganhar o caucus em Nevada para elevar a moral de seus partidários, depois da significativa derrota em New Hampshire para o senador Bernie Sanders, cujo discurso anti-elitista e anti-Wall Street tem feito eco entre os jovens democratas.
Embora a ex-secretária de Estado tenha um forte apoio de seu partido, que praticamente prevê sua vitória na convenção democrata de julho, seu objetivo é deter a ascensão de Sanders o quanto antes.
Clinton ganhou em 2008 de Barack Obama em Nevada, onde conta com o apoio das comunidades negra, hispânica e asiática, que representam cerca da metade dos habitantes.
"Nevada é mais representativo da população americana que Iowa ou New Hampshire", explicou à AFP Michael Green, professor de história da Universidade de Las Vegas. "Os candidatos que passam dessas primeiras etapas estão prontos para enfrentar o tipo de eleitorado que votará nas presidenciais", declarou.
As pesquisas são pouco confiáveis para os caucus, por isso nada está definido.
"Em 10, 20 ou 30 anos, as pessoas se lembrarão do que ocorreu em Nevada e dirão que aqui começou a revolução política", disse Sanders em um ato de campanha na noite de sexta-feira próximo a Las Vegas.
Os caucus republicanos em Nevada será na próxima terça-feira, enquanto o democratas terão suas primárias na Carolina do Sul no sábado seguinte.
Em 1º de março ocorrerá a chamada "Super Terça", quando onze estados se pronunciarão.
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