Dúvida do colunista: será que vi o "pavilhão" Airton jogar? Pode ser!!!
Vou contar uma história incrível e abrir breve exceção neste espaço costumeiramente dedicado a temas latino-americanos.
Bem, como estamos na América Latina e futebol é um assunto sensível a milhões de apaixonados por seus clubes - não só pelo meu Grêmio -, vamos em frente.
Quando o zagueiraço Airton Ferreira da Silva morreu aos 77 anos, em abril de 2012, eu comentei com o colega e amigo Luiz Zini Pires:
- Zini, eu me lembro bem dele jogando. Nunca fazia falta. Tirava a bola de letra. Tinha saída de jogo digna dos maiores craques. Ninguém passava por ele...
Aí, o Zini interrompeu minha empolgação.
- Léo, isso não é possível. O Airton jogou nos anos 1950 e início dos anos 1960...
Puxa, fiquei perplexo. Efetivamente, eu nasci em julho 1964. Atribuí tanta suposta memória visual às conversas que eu tinha com o meu pai, o gremistão Henrique Gerchmann (só não digo que jamais vi um gremista tão gremista quanto o meu pai porque ele me criou a sua imagem e semelhança, sou exatamente como ele na nossa compartilhada paixão tricolor).
Pois bem, agora o meu amigo Montserrat Martins, ex-colega no Jornalismo da UFRGS que depois enveredou pela Medicina e se tornou um grande psicanalista, mandou-me a foto acima. É do Airton defendendo o Cruzeirinho de Porto Alegre em 1968, numa vitória de 2 a 1 sobre o mesmo Inter que o "Estrelado" enfrenta hoje. Sim, o "pavilhão" Airton voltou para o próprio Grêmio em 1961, depois de ter passado gloriosamente pelo Santos do Pelé, e viveu suas última experiências profissionais no Cruzeiro e no Cruz Alta. Parou de jogar só em 1971!
O Aírton jogou até os 37 anos, coisa raríssima para a época.
Eu ainda o vi muito no Olímpico, nas cadeiras, assistindo aos jogos do nosso Grêmio. E me emocionei com a despedida que fizemos na Arena, quatro anos atrás. Mas... fiquei com a dúvida: vi ou não vi?!
Talvez seja o caso de eu fazer algumas sessões com o meu amigo Monte, um cruzeirista dos quatro costados e grande desvendador da alma humana.