Pesquisa: Wilder Morais joga parado, Marconi Perillo estagnou e Daniel Vilela pode vencer no 1º turno
Na política pode-se jogar parado? Em disputas majoritárias, sobretudo para governador e presidente da República, é sempre um risco.
Pois o senador Wilder Morais, pré-candidato a governador de Goiás pelo PL, está jogando quase parado.
Não inteiramente parado porque conquistou o passe político da “filha de” — sim, Ana Paula Rezende, sócia (via marido, Frederico Peixoto) da Construtora FGR (muito citada no Reclame Aqui). Depois, encaminhou-se para a segunda divisão, adquiriu o passe de Amauri Ribeiro e montou, por assim dizer, um time de várzea.
Entretanto, Wilder Morais até agora não conseguiu conquistar o apoio dos dois maiores generais eleitorais do PL em Goiás — o deputado federal Gustavo Gayer e o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa.
Gustavo Gayer e Márcio Corrêa nada têm contra Wilder Morais do ponto de vista pessoal. Mas há ressalvas quanto à posição política do senador.
Primeiro, não é um bolsonarista raiz. É o que os bolsonaristas denominam de “bolsonarista de período eleitoral”. Tanto que, nas questões que envolvem o STF/Alexandre Morais, Wilder Morais não se posiciona em defesa de Jair Bolsonaro e aliados. Fica quieto, pois se apresenta como “moderado”.
Wilder retira a força de Gayer
Segundo, o projeto pessoal de Wilder Morais, ao disputar o governo do Estado, pode prejudicar sobretudo o projeto de Gustavo Gayer, pré-candidato a senador pelo PL.
No último levantamento do instituto Paraná Pesquisas, divulgado na terça-feira, 7, Gustavo Gayer (27,5%) já aparece em terceiro lugar, atrás de Gracinha Caiado (39,1%) e Vanderlan Cardoso (28,5%).
A rigor, Gustavo Gayer e Vanderlan Cardoso estão tecnicamente empatados, mas a expectativa positiva passou para o senador do PSD. O que está ocorrendo? É preciso aferir com mais precisão. Mas possivelmente, dada sua má intenção de voto, Wilder Morais está “puxando” o postulante ao Senado pelo PL para baixo.
Político atento, Gustavo Gayer sabe que acoplar sua candidatura à de Wilder Morais pode levá-lo à derrota, mesmo sendo bem votado. Por isso, o deputado não tem nenhum entusiasmo pela candidatura do senador e tende a apoiar Daniel Vilela, o pré-candidato a governador pelo MDB. Márcio Corrêa já definiu que irá seguir com Daniel Vilela.
A cinco meses e alguns dias das eleições — que serão realizadas no dia 4 de outubro —, a situação de Wilder Morais, de acordo com a apurado pela pesquisa do instituto Paraná, é extremamente negativa. Revela estagnação.
Em dezembro de 2025, Wilder Morais aparecia com 9,2% e, agora, tem 11,5%. “Subiu” 2,3 pontos percentuais. Porém, considerada a margem de erro de 2,8 pontos percentuais, há a possibilidade de, na verdade, ter mantido os mesmos números.
Os dados mostram que jogar parado — à esperança do milagre do bolsonarismo para empurrá-lo morro acima — não tem ajudado Wilder Morais. Pelo contrário, tem prejudicado ele e, também, Gustavo Gayer.
O bolsonarismo é, na verdade, muito forte. Mas não tem condições de carregar candidatos “pesados” (remember Fred Rodrigues e Professor Alcides Ribeiro nas disputas pelas prefeituras de Goiânia e Aparecida de Goiânia). Por isso, Gustavo Gayer que fique atento. Porque, lá de “baixo”, Wilder Morais não vai puxá-lo para “cima”. Já está puxando para baixo e, eleitoralmente, pode “afogá-lo”. Será o abraço do afogado com o afogável?
Daniel cresce e rejeição barra Marconi
A situação de Marconi Perillo é complicada, pois está 19 pontos percentuais atrás de Daniel Vilela. São 43,4% do emedebista contra 24,4% do tucano.
O dado relevante de Marconi Perillo é que está estagnado. Porque, em dezembro de 2025, tinha o mesmo número da pesquisa atual: 24,4%. Mesmo jogando de fato, em busca de novos aliados — como Professor Alcides, Flávia Telles, Edson Automóveis e Clécio Alves —, não está crescendo.
Por que Marconi Perillo não cresce? Por dois motivos, possivelmente. Primeiro, porque Daniel Vilela começa a deslanchar — saltando de 39,3%, em dezembro de 2025, para 43,4% agora. Quer dizer, subiu 4,1 pontos percentuais. Acima da margem de erro.
(Todas as intenções de voto das oposições, somadas, resultam em 45,4%. Ou seja, acima de Daniel Vilela apenas dois pontos percentuais. Noutras palavras, a possibilidade de o candidato do MDB vencer o pleito já no primeiro turno é alta. Talvez seja o dado mais substantivo da pesquisa.)
Há um segundo dado, o mais substancial, que complica a vida de Marconi Perillo. Sua rejeição de 37,3%, tudo indica, o impede de crescer. Trata-se de um número muito alto — quase 40%. Wilder Morais aparece com 13,4%. Entre os candidatos competitivos, Daniel Vilela é o que aparece com a rejeição mais baixa — 11,7%. Isto sugere que sua margem para crescer supera a dos demais, sobretudo quando for mais bem avaliado no exercício do poder, já que assumiu o governo do Estado este mês.
Então, o jogo parado de Wilder Morais tem contribuído para manter Daniel Vilela na liderança e Marconi Perillo em segundo lugar.
O que a pesquisa do instituto Paraná mostra é isto: no momento, só um há pré-candidato com expectativa de poder — Daniel Vilela. Wilder Morais é avaliado como um jogador que não entra em campo. Marconi é aquele pré-candidato que os goianos aparentemente não ver mais no governo. (Euler de França Belém)
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