O Agente Secreto, de Kleber Mendonça, as desventuras do cinema nacional e Walter Salles
Nossos cineastas precisam se conscientizar de uma mudança de rumo nas suas produções. Talvez buscar algo mais artístico e menos político em seus filmes
São passados poucos dias da premiação maior do cinema mundial, o Oscar de 2026, e ninguém fala mais do filme brasileiro “O Agente Secreto” e do ator principal Wagner Moura.
Até o final da semana passada não havia um jornal da “grande imprensa” que não publicasse com ufanismo alguma notícia prevendo as vitórias que o filme conquistaria no certame. Eram manchetes e mais manchetes e as entrevistas com Wagner Moura, repletas de opiniões esquerdistas se sucediam. Agora só o silêncio, um envergonhado silêncio; e o ator desapareceu, recolheu-se ao seu refúgio socialista (em Los Angeles, Califórnia, EUA) — uma vez que o filme não conquistou uma estatueta sequer, embora contasse com quatro indicações.
Estamos ainda bem lembrados do filme “Ainda Estou Aqui”, do diretor Walter Salles, que, com três indicações ao Oscar em 2025, recebeu a estatueta de melhor filme estrangeiro.
Ambos os filmes conquistaram prêmios nos festivais internacionais secundários de cinema, mas no Oscar, que é o que há de maior em reconhecimento de qualidade cinematográfica, saíram bem abaixo do que vaticinava a imprensa nacional, principalmente a imprensa “engajada” de esquerda.
Impressiona o empenho dos cineastas brasileiros em abordar temas políticos, sempre com viés de esquerda. O regime militar, então, é preferencial.
“Ainda Estou Aqui” é um bom exemplo. O diretor Walter Salles tudo tem para ser conservador. Herdeiro de boa fortuna (R$ 26,1 bilhões — dado divulgado pela Forbes), dissipou boa parte dela na busca por reconhecimento como cineasta, até conquistar o cobiçado Oscar.
Walter Salles fez no passado (em 2004), um filme exaltando o carniceiro (vale conferir a biografia escrita por Jon Lee Anderson) Che Guevara — “Diarios da Motocicleta”. Tem tudo para ser conservador, e é, no estilo de vida. Mas se compraz em fazer filmes de esquerda, gastar uma fortuna na sua divulgação e no agrado aos críticos de cinema, algo que sem dúvida o ajudou a chegar ao Oscar.
Não deixa de ser uma contradição, e a despeito dessa aparente vitória, o cinema brasileiro continua sendo ruim.
O saudoso Paulo Francis, um dos jornalistas mais inteligentes já surgidos em nossa imprensa, dizia que os filmes brasileiros não valiam o celuloide em que eram impressos. De certa forma, tinha razão. Francis dizia sobre o cinema brasileiro: “O filme é uma merda, mas o diretor é genial”.
Walt Disney, como diretor e produtor, conquistou 22 Oscars, desde que o prêmio foi criado, em 1927. O cinema italiano foi premiado 14 vezes por ter apresentado o melhor filme estrangeiro, e o cinema francês 12 vezes pelo mesmo motivo.
A atriz Katherine Hepburn, pessoalmente, acumula 11 Oscars de melhor atriz, o que ocorreu também com alguns filmes, como “Titanic”, que recebeu 11 Oscars.
Se contarmos melhor filme, melhor roteiro, melhor trilha sonora, melhor ator ou atriz, o cinema italiano, para dar um exemplo, conquistou mais de 50 estatuetas.
No nosso cinema ganhou apenas esse prêmio do ano passado, em toda sua história, em um século de Oscar. É um desempenho de dar vergonha em nossos cineastas e dar razão a Paulo Francis. Nossos cineastas precisam se conscientizar de uma mudança de rumo nas suas produções. Talvez buscar algo mais artístico e menos político em seus filmes.
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