Moro se filia ao PL e retoma aliança com bolsonarismo de olho no governo do Paraná
O senador Sergio Moro deixará o União Brasil para se filiar ao PL nesta terça-feira, 24, em movimento que consolida sua pré-candidatura ao governo do Paraná e aponta uma reaproximação formal com o grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A mudança ocorre após impasses locais com o PP em torno do apoio à sua disputa estadual.
A filiação representa mais um capítulo de uma relação marcada por aproximações, rompimentos e reconciliações entre o ex-juiz da Lava Jato e o bolsonarismo.
Moro foi alçado ao primeiro escalão do governo federal em 2019, quando Bolsonaro o escolheu para comandar o Ministério da Justiça. À época, o então juiz federal de Curitiba acumulava capital político em razão de sua atuação na Operação Lava Jato, que teve entre seus desdobramentos a prisão do presidente Lula (PT) e de outros investigados por corrupção.
A entrada no governo foi tratada como a formação de um “superministério”, com promessa de autonomia para o combate ao crime organizado e à corrupção. A convivência, no entanto, se deteriorou ainda no início da gestão.
Entre os primeiros atritos esteve a tramitação do chamado pacote anticrime. Embora o projeto tenha sido aprovado no Congresso, o texto final não incorporou pontos centrais defendidos por Moro. O então ministro passou a atribuir o esvaziamento da proposta à falta de empenho político do Palácio do Planalto.
Outro foco de desgaste foi a retirada do Coaf da estrutura do Ministério da Justiça e sua transferência para a área econômica. Enquanto Moro reclamava de isolamento político, aliados de Bolsonaro passaram a reagir ao protagonismo do ministro.
Rompimento com Bolsonaro
A crise atingiu seu ponto máximo com a troca no comando da Polícia Federal. Moro deixou o cargo em abril de 2020, após afirmar que Bolsonaro pretendia interferir politicamente na corporação, especialmente no Rio de Janeiro.
Segundo o ex-ministro, o então presidente pressionava por mudanças na direção da PF e buscava acesso a informações sobre investigações que atingiam pessoas próximas. A saída foi acompanhada de acusações públicas e abriu uma das rupturas mais marcantes do primeiro mandato de Bolsonaro.
O episódio levou à abertura de investigação no Supremo Tribunal Federal sobre eventual interferência do chefe do Executivo na Polícia Federal. Bolsonaro negou irregularidades e reagiu duramente às declarações de Moro, a quem passou a atacar publicamente.
Após a demissão, o ex-juiz virou alvo frequente de bolsonaristas. O distanciamento se aprofundou quando Moro tentou viabilizar candidatura à Presidência da República em 2022. Integrantes da família Bolsonaro passaram a acusá-lo de traição, em uma troca de ataques que contaminou a relação política entre os dois campos.
Reaproximação em 2022
A reaproximação começou no segundo turno da eleição presidencial de 2022, quando Moro declarou apoio à tentativa de reeleição de Bolsonaro. Ao anunciar a decisão, afirmou que deixava divergências de lado.
Bolsonaro, por sua vez, sinalizou trégua ao reconhecer a atuação de Moro no enfrentamento à corrupção. A partir dali, o ambiente entre os dois grupos foi sendo recomposto, especialmente após a eleição do ex-ministro para o Senado pelo Paraná.
No Congresso, Moro passou a se firmar como um dos nomes de oposição ao governo Lula. Em temas centrais da agenda nacional, sua atuação se aproximou cada vez mais do discurso bolsonarista, contribuindo para reconstruir pontes com o PL.
Agora, ao ingressar no partido de Bolsonaro, o senador dá um passo além e formaliza uma aliança com efeitos diretos sobre a disputa paranaense.
Disputa no Paraná
A entrada no PL tem como principal objetivo fortalecer o projeto de Moro ao governo do Paraná. O movimento também o aproxima do senador Flávio Bolsonaro, que já manifestou apoio público à candidatura do ex-juiz no Estado.
A tendência é que ambos dividam o mesmo palanque na campanha de outubro, em uma composição que interessa aos dois lados: Moro amplia sua estrutura política e o bolsonarismo ganha um nome competitivo em um dos principais colégios eleitorais do Sul do país.
Levantamentos recentes colocam o senador em posição de vantagem na corrida estadual, com liderança nos cenários testados. Entre os nomes mais citados como adversários aparecem Requião Filho e Rafael Greca.
A filiação ao PL, assim, encerra mais um ciclo de idas e vindas entre Moro e a família Bolsonaro e reposiciona o ex-ministro dentro do campo conservador, agora com aliança partidária e palanque compartilhado para 2026.
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