Por que não deu tempo de evitar dezenas de mortes?
No Brasil existem tragédias climáticas anunciadas. A cada novo ano, no período chuvoso a cena se repete. E, essa imagem é de tremenda tristeza! Deslizamentos, alagamentos e, em meio a essa avalanche de lamas causadas por fortes chuvas, infelizmente, muitas vidas são ceifadas.
A reincidência de desastres naturais como a que estamos assistindo devido as inundações em Juiz de Fora levanta questões sobre a falha do Estado. Ineficiência em levar em consideração estudos de ambientalistas, alertas da defesa civil e até mesmo a própria clemência vinda da população pobre, que vive nas periferias na beira de morros.
A cidade mineira da Zona da Mata enfrenta as consequências de uma tragédia climática histórica. As tempestades severas desde o dia 23 de fevereiro de 2026 enterraram 58 cidadãos e se ampliarmos para a região, especialmente, o município de Ubá o número de mortos ultrapassa 64. São vítimas da negligência de todas as autoridades responsáveis.
Ambos municípios decretaram estado de calamidade pública. Afinal, a conta só aumenta: mais de 4.200 pessoas tiveram que deixar suas casas. Foram 1.800 chamados de deslizamentos de terra e desabamentos registrados pela Defesa Civil. Só que o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), por meio de documentos já havia alertado sobre o risco muito elevado de uma tragédia.
Desde 2023, o Cemaden havia feito um levantamento no sentido de identificar os municípios brasileiros mais propícios à deslizamentos, enxurradas e inundações. Ao todo forma identificados 1.942 cidades com pessoas vivendo em áreas de risco. Eram 8,9 milhões de pessoas vivendo em risco iminente, ou seja, 6% dos brasileiros.
O município de Juiz de Fora aparece em 9º com mais pessoas nessa situação, o que equivale cerca de 129 mil. Colocando essa cidade mineira como a mais crítica do interior do país, haja vista que as outras a frente dessa lista são capitais ou parte de regiões metropolitanas.
Esses alertas de inundações, deslizamentos de terra em encostas são enviados diretamente para a Defesa Civil para, justamente, a tomada de decisões. No caso de Juiz de Fora, a situação é ainda mais agravada porque boa parte da população vive em moradias inadequadas, próximas a encostas ou bem perto de rios. Até quando, essa população marginalizada vai pagar com a vida pela omissão do poder público?
Leia também:
O post Por que não deu tempo de evitar dezenas de mortes? apareceu primeiro em Jornal Opção.