Acredite se quiser, mas o maior destaque das Olimpíadas de Inverno é o Brasil
Nas Olimpíadas de inverno, que este ano acontecem em Milão, na Itália, o uniforme das equipes de cada país vai muito além de uma roupa esportiva: ele comunica moda com identidade, cultura, estratégia e posicionamento. Este ano, na cerimônia dos Jogos Olímpicos de Inverno Milano-Cortina de 2026, os uniformes nacionais viraram peças de moda. Linhas limpas, tecidos refinados e detalhes atenciosos provaram que as roupas esportivas nos Jogos falam tanto de imagem como desempenho. Moda e função caminharam juntas sob os holofotes olímpicos e deixaram claro que o esporte virou linguagem cultural e um dos palcos mais estratégicos da cultura global.
Marcas famosas e até ateliês de alta costura entraram no “jogo” e trouxeram o processo criativo do mundo da moda para as Olimpíadas. Marcas como Lulemon, Empório Armani, Adidas, Salomon, Moncler e tantas outras contaram por intermédio das roupas a tradição e a história de cada país. Foi nesse cenário gelado, com temperatura média de -10°C, que o inesperado aconteceu: o Brasil, país tropical, roubou a cena quando os atletas desfilaram vestindo uniformes icônicos que já entraram para a história dos Jogos de Inverno.
Quando o Time Brasil entrou vestido por Moncler, cocriado com Oskar Metsavahat, a mensagem transmitida não era “vamos competir”, mas “isso é quem somos”. Por fora, técnica e rigor. Por dentro, a bandeira brasileira.
Nesse desfile, o Brasil mostrou que a performance mais valiosa hoje não é só física. É simbólica. O que você sustenta por dentro como valores, mentalidade, identidade define como você se comporta sob pressão. Os atletas brasileiros se tornaram curadores culturais. E quando escolhe o que veste, como se expressa e o que representa o atleta valida a marca com autenticidade. Na largada, o Brasil mostrou que, em 2026, autoridade vem da medalha e da relevância cultural.
O uniforme brasileiro para as Olimpíadas de Inverno é um “case” de branding, narrativa e alinhamento das marcas Moncler e Osklen. Não é sobre estética. É sobre história, repertório, origem e coerência entre discurso, produto e contexto cultural, onde o luxo encontra performance. Sustentabilidade passa a ser uma prática e a identidade brasileira surge de dentro, de forma simbólica e sofisticada.
Jogos Olímpicos de Inverno é sobre isso? Também. Não há como não notar e se impressionar ou, para os que tem a moda na veia e um olhar singular para esse setor do capitalismo, se apaixonar pelo incrível trabalho da Moncler em parceria com a Osklen que conseguiram colocar o país no corpo, de um jeito atual, coerente e nada caricato. Os uniformes conversam com esse clima de “brazilcore” que está em todo lugar em 2026, sem virar “fantasia de Brasil”.
O que faz o Brasil nas Olimpíadas de Inverno?
A repercussão mundial do desfile do Brasil na abertura dos Jogos de Inverno gerou discussões e questionamentos em Milão.
O que um país tropical, sem neve, sem tradição histórica nesse tipo de esporte, foi fazer nas Olimpíadas?
Mas a pergunta revela menos sobre esporte e mais sobre o desconforto coletivo quando o Brasil ocupa lugares que teoricamente não foram feitos para ele.
No meio esportivo, a presença brasileira vem acompanhada de uma leitura com observações sobre atletas que nasceram fora do ambiente gelado, sem estrutura e espaço para os treinos, mas também lida como adaptação, sobrevivência e desejo de pertencimento num mundo que não oferece o caminho óbvio.
O Brasil pode até chegar, mas pra isso precisa atravessar fronteiras, idiomas e culturas para ser levado a sério. Não basta apenas competir é preciso justificar sua participação. Esse esforço constante de validação mostra como enxergamos o sucesso fora do roteiro esportivo tradicional. Quando um atleta olímpico brasileiro chega ao pódio não é de improviso ou acaso. É a somatória de método, adaptação e constância.
O bom resultado não desafia apenas o esporte, mas também o imaginário coletivo que ainda associa o Brasil a um único tipo de excelência. Entre identidade, pertencimento e ausência de estrutura o pódio do atleta de inverno brasileiro começa bem antes da neve: em casa.
O post Acredite se quiser, mas o maior destaque das Olimpíadas de Inverno é o Brasil apareceu primeiro em Jornal Opção.