COMPÊNDIO DA BÍBLIA – 6. JOSUÉ
- Por Emídio Brasileiro, Educador, Jurista e Cientista da Religião
O livro de Josué é o sexto da Bíblia e o primeiro dos livros históricos do Antigo Testamento. A autoria é tradicionalmente atribuída ao próprio Josué. O relato abrange cerca de 24 anos, entre 1451 e 1427 a.C., desde a morte de Moisés até a morte do novo líder de Israel. Mais do que um registro de conquistas, a obra apresenta a fidelidade do Senhor no cumprimento das promessas feitas a Abraão, Isaque e Jacó.
O conteúdo pode ser dividido em quatro partes: a entrada na Terra Prometida (capítulos 1 a 5); o estabelecimento do povo na terra (capítulos 6 a 12); a distribuição da herança entre as tribos (capítulos 13 a 22); e a despedida e exortação de Josué (capítulos 23 e 24).
Após a morte de Moisés, o Senhor designou Josué, filho de Num, como líder de Israel, incumbido de conduzir o povo através do rio Jordão e tomar posse da terra prometida aos patriarcas. Deus o encorajou a agir com força, coragem e obediência à Lei. Em seguida, Josué ordenou que o povo se preparasse para a travessia.
Antes da conquista, dois espias foram enviados a Jericó e encontraram Raabe, uma estrangeira que declarou fé no Deus de Israel. Por causa disso, ela e sua família foram poupadas, episódio interpretado como sinal de que a salvação alcança aqueles que creem.
A travessia do Jordão ocorreu de forma milagrosa e tornou-se um marco da presença divina. Após a passagem do povo, os sacerdotes saíram do leito do rio e as águas retornaram ao curso normal. Dois memoriais de pedras foram erguidos para registrar o acontecimento. Ainda na planície de Jericó, os israelitas celebraram a primeira Páscoa na terra prometida, no dia 14 do mês. Nas proximidades da cidade, Josué encontrou o comandante do exército do Senhor, que afirmou que a vitória viria do poder divino.
Na conquista de Jericó, os israelitas marcharam ao redor da cidade durante seis dias. No sétimo, contornaram-na sete vezes. Ao toque prolongado das trombetas e ao grito do povo, as muralhas ruíram e a cidade foi tomada. Além de Jericó, outras cidades foram conquistadas, como Ai, Makkedá, Libna, Laquis, Eglom, Hebrom, Debir e Hazor, entre outras, em campanhas que se estenderam do Neguebe ao Líbano.
Com a terra dominada, o território foi repartido entre as nove tribos e meia que ainda não possuíam herança. O Tabernáculo foi instalado em Siló, e Josué recebeu Timnate-Sera como posse. Também foram designadas cidades de refúgio para proteger pessoas acusadas de homicídio involuntário até o julgamento.
Já idoso e com a terra em paz, Josué reuniu o povo e recordou a trajetória de Israel, desde Abraão até a conquista de Canaã. Em sua exortação final, convocou a nação à fidelidade ao Senhor, declarando: “Escolhei hoje a quem servireis… eu e minha casa serviremos ao Senhor” (24:15).
Josué morreu aos 110 anos e foi sepultado em Timnate-Sera. Eleazar, filho de Arão, também faleceu e foi enterrado em Gibeá. Durante a vida de Josué e dos anciãos que o sucederam, Israel permaneceu fiel ao Senhor.
O legado deixado pelo líder reforça a convicção de que Deus cumpre Suas promessas e sustenta aqueles que permanecem firmes na aliança. O livro ressalta que as verdadeiras vitórias não vêm da força humana, mas do poder divino, presente em cada etapa — da travessia do Jordão à instalação do Tabernáculo em Siló e à divisão da terra entre as tribos.
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