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Para Agostinho, educar não é acrescentar algo à alma, mas ordená-la

Abecedário de Santo Agostinho — E de Educação

Ana Kelly Souto

Especial para o Jornal Opção

Depois do amor, do belo, da confissão e de Deus, a letra E poderia ser espírito. Mas, como professora, a noção de educação em Agostinho é uma das coisas mais belas de sua filosofia. O E se impõe quase por necessidade interna: Educação. Não como técnica, método ou política pública, mas como aquilo que, para o filósofo, torna a vida humana verdadeira, impedindo que ela se perca no desejo desordenado e conduzindo-a ao repouso interior, à salvação.

Agostinho pensava o oposto do que hoje muitas vezes se supõe. Para ele, educar não é acrescentar algo à alma, mas ordená-la. Educar é ensinar a ver, a desejar o que já habita em nós e a amar no tempo e na medida justos. Por isso, inverte a busca pelo conhecimento: “não saias de ti, volta-te para dentro de ti mesmo; a verdade habita no homem interior”. O conhecimento não vem de memórias de outras vidas, mas da iluminação divina, que permite à alma reconhecer interiormente a verdade.

No “De magistro”, uma convicção que atravessou séculos é desmontada: a ideia de que o mestre ensina conteúdos. Nenhum professor coloca a verdade dentro de alguém. O máximo que pode fazer é indicar, provocar, apontar. O aprendizado verdadeiro acontece quando a alma reconhece interiormente aquilo que lhe é apresentado. Por isso, o verdadeiro mestre não fala de fora; fala por dentro. Cristo é esse mestre interior que não grita, mas ilumina.

Essa concepção desloca radicalmente o sentido da educação. Ensinar passa a significar despertar, formar a atenção, orientar o olhar interior. O maior risco pedagógico não está na ignorância, mas na dispersão: uma alma dispersa pode até acumular saberes, mas perde a direção do próprio caminho.

Trata-se, primeiramente, de uma pedagogia implícita, empenhada em reconhecer a presença de uma ordem racional no universo e em situar o homem no interior dessa ordem. Ao mesmo tempo, a educação aparece como uma pedagogia em ato, isto é, como um conjunto de condições concretas que tornam possível a formação integral do homem — intelecto, vontade e afetos. Não se trata apenas de transmitir conteúdos, mas de formar o modo como a alma se relaciona com a verdade, como observa Fitzgerald (Agostinho através dos tempos).

A verdadeira filosofia, é inseparável da fé cristã, assim como a verdadeira educação é aquela que conduz o ser humano à salvação e, em última instância, a Deus. A educação em Agostinho não possui um sistema pedagógico formalizado, mas esta presente em todo seu itinerário intelectual, espiritual e existencial, assumindo a forma de uma pedagogia  integrada à sua concepção de verdade, ordem e interioridade.

A crítica à escola e à violência pedagógica

A exigência de repensar a educação surge, em Agostinho, a partir de sua própria experiência escolar, duramente criticada nas Confissões. Ele descreve os métodos de ensino de seu tempo como penosos, enfadonhos e desprovidos de significado, marcados pela imposição mecânica da memorização e pelo recurso sistemático às punições corporais.

Agostinho considera bárbara a violência pedagógica então naturalizada. Denuncia a crueldade dos mestres e observa, com espanto, a indiferença — e às vezes até o riso — dos adultos diante do sofrimento das crianças. A experiência escolar lhe pareceu tão opressiva que chega a afirmar que preferiria a morte a retornar à infância submetida àquele tipo de educação (Confissões, I, 9).

Esse modelo de ensino, segundo ele, não apenas falhava em promover o aprendizado, como produzia o efeito contrário: afastava o aluno do prazer de conhecer e do desejo de buscar a verdade, inclusive a beleza intrínseca das relações numéricas e da ordem racional do mundo.

Agostinho por Benozzo Gozzoli

Curiosidade, disciplina e formação

Ao recordar o que de fato aprendeu na escola, Agostinho observa que o aprendizado ocorreu não por coerção, intimidação ou temor do castigo, mas pela atenção voluntária, pela curiosidade interior e pelo impulso natural do espírito em dar forma aos próprios pensamentos. Daí sua convicção de que um método fundado na curiosidade livre é incomparavelmente mais eficaz do que uma educação impositiva e violenta.

Desde cedo, amadurece a ideia de que o processo educativo deve apoiar-se numa síntese entre curiosidade e disciplina: a liberdade do desejo de conhecer precisa ser orientada, mas jamais sufocada. Essa concepção se consolida com sua experiência como mestre de retórica e, sobretudo, com o encontro com a filosofia neoplatônica, que o conduz à compreensão de que a formação autêntica do homem exige uma cultura fundada na verdade.

O papel do sensível na formação

Ao contrário do que muitas vezes se repete, Agostinho não despreza os sentidos. Ele sabe que ninguém aprende sem passar pelo sensível. Sons, imagens, ritmos e proporções educam — e educam profundamente.

A música é um bom exemplo disso. Um canto pode elevar a alma ou apenas embalá-la. Um ritmo pode despertar a atenção interior ou reduzi-la a um movimento automático do corpo. Uma rima pobre, repetitiva, previsível, pode até agradar no primeiro instante, mas logo cansa: ela ocupa o ouvido sem formar o espírito, faz perder-se no ritmo sem conduzir a lugar algum. Já uma harmonia bem composta, uma cadência justa, uma proporção que se sustenta, não apenas agrada — ela educa, porque exige atenção, medida e permanência.

É exatamente esse o ponto de Agostinho no De música e em A ordem: o mundo sensível pode ser um grande pedagogo, desde que não se torne tirano. Quando a beleza sensível desperta o desejo e o conduz à interioridade, ela educa. Quando apenas captura, repete e dispersa, ela escraviza.

Talvez por isso essa reflexão soe tão atual. Vivemos cercados de estímulos sonoros, visuais e rítmicos que nos mantêm ocupados, mas raramente recolhidos. Muito do que consumimos embala, acelera, distrai — mas pouco forma. Agostinho ajuda a perceber que o problema não está nos sentidos, mas na falta de ordem: quando o sensível não conduz ao interior, ele se torna ruído; quando conduz, torna-se caminho.

Educar, portanto, é um processo lento. A alma não se forma por impacto, mas por habitação. Aprende-se na permanência, na experiência paciente do tempo. A própria história de Agostinho testemunha isso. Aprendeu cedo a falar bem, a convencer, a brilhar — e demorou muito mais a aprender a viver.

Educação hoje: formar para a vida ou para o mercado?

Falamos muito em educação, quase sempre no plural: competências, habilidades, desempenho, produtividade. O verbo aprender foi encurtado. Aprender virou acumular, otimizar, acelerar. Tudo precisa ser útil, rápido e mensurável. Mas a pergunta decisiva continua escapando: educamos para a vida ou apenas para o mercado?

À luz do pensamento agostiniano, essa pergunta precisa ser recolocada no lugar certo. Educar não é preparar alguém para se adaptar a um sistema que muda a cada década, mas formar uma interioridade capaz de permanecer quando tudo muda. O mercado é instável, volátil, cambiante. A vida, não.

Uma educação limitada ao imediato corre o risco de formar profissionais rapidamente obsoletos e pessoas interiormente vazias. Forma-se para “dar certo”, mas não para sustentar-se por dentro quando o sucesso falha, quando o reconhecimento não vem ou quando as circunstâncias mudam.

A grande universidade — aquela que honra sua própria origem — não existe para adestrar para o mercado, mas para formar para a vida. Forma para muitas possibilidades, inclusive profissionais, mas não se esgota nelas. Seu núcleo não é o técnico, mas o humano. O conhecimento verdadeiramente universitário não tem prazo de validade, porque não se confunde com aquilo que envelhece rápido e precisa ser constantemente reciclado.

Agostinho já sabia que o problema não está no saber, mas no modo como se ama o saber. Quando a educação se orienta apenas pelo desempenho, ela dispersa. Quando se orienta pela interioridade, ela ordena. Não se trata de rejeitar o mundo do trabalho, mas de recolocá-lo na ordem correta: como meio, não como fim.

Formar para a vida é formar pessoas capazes de pensar, julgar, discernir, criar e permanecer. Pessoas que não se perdem no ruído do imediato nem se deixam reduzir àquilo que fazem. Educar, nesse horizonte, é ensinar alguém a não desperdiçar a própria vida tentando apenas “dar certo”.

Essa advertência encontra eco numa crítica contemporânea contundente. Ao refletir sobre a universidade do século XXI, Boaventura de Sousa Santos alerta para o risco de que muitas instituições se transformem em verdadeiras “fábricas de diplomas-lixo”: lugares que certificam rapidamente, mas formam pouco; que entregam títulos, mas não constroem pensamento, interioridade ou responsabilidade.

Talvez seja por isso que Agostinho continue tão atual. Em tempos de aceleração, ele nos lembra que a educação não é corrida, mas caminho — e caminho se faz com atenção, tempo e sentido.

À luz de Agostinho, o problema não está na formação profissional em si, mas na perda da ordem: quando a educação deixa de formar a alma, o diploma permanece — e a vida se dispersa.

Ana Kelly Souto, doutora em Ciências da Religião e professora da PUC-Goiás, é colaboradora do Jornal Opção.

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