Trump divulga montagem em que se apresenta como “presidente interino da Venezuela”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgou neste domingo, 11, uma imagem em suas redes sociais na qual aparece identificado como “presidente interino da Venezuela”. A montagem imita o formato de uma ficha biográfica digital, com fotografia oficial e dados institucionais que associam simbolicamente o republicano ao comando do país sul-americano.
A postagem foi feita pouco mais de uma semana depois da intervenção militar norte-americana na Venezuela, operação que resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro. Trump não acrescentou explicações ou comentários ao conteúdo publicado, mas o gesto foi interpretado como mais um sinal de endurecimento de sua política externa na região.
O episódio ocorre em meio à escalada retórica do presidente americano também contra Cuba. No mesmo dia, Trump afirmou que a ilha deixará de receber petróleo e recursos financeiros provenientes da Venezuela e declarou que o fim desse apoio pode acelerar o colapso do regime cubano.
Em entrevista recente ao The New York Times, Trump declarou que seu poder global como comandante das Forças Armadas dos EUA é limitado apenas por sua “própria moralidade”. Segundo ele, não haveria necessidade de subordinação ao direito internacional ou a mecanismos multilaterais para o uso da força militar.
— Minha própria moralidade é o limite. Minha própria mente. É a única coisa que pode me impedir — afirmou.
A declaração foi vista por analistas como a exposição mais direta até agora da visão de mundo do republicano, baseada na dissuasão, na imprevisibilidade e no uso explícito do poder militar e econômico como instrumento de coerção internacional.
Plano para controle da Venezuela
Na mesma entrevista, Trump afirmou que os Estados Unidos pretendem administrar a Venezuela por tempo indeterminado e explorar suas reservas de petróleo por vários anos. Segundo ele, o governo interino venezuelano — formado por aliados do antigo regime — estaria colaborando com Washington.
— Vamos reconstruir o país de uma forma muito lucrativa. Vamos usar petróleo, extrair petróleo e reduzir os preços globais. Parte desse dinheiro será destinada à Venezuela, que precisa desesperadamente — disse.
Autoridades americanas confirmaram que o governo dos EUA planeja assumir o controle da comercialização do petróleo venezuelano sem prazo definido. A estratégia faz parte de um plano em três etapas apresentado pelo secretário de Estado Marco Rubio ao Congresso.
Embora parlamentares republicanos tenham demonstrado apoio à iniciativa, democratas alertam para o risco de uma ocupação prolongada sem base legal clara e sem compromisso explícito com a restauração democrática.
Questionado sobre quando eleições seriam realizadas na Venezuela, Trump evitou dar prazos. Também não explicou por que reconheceu Delcy Rodríguez como líder interina do país, em vez de apoiar María Corina Machado, cuja coalizão venceu as eleições de 2024, ou Edmundo González Urrutia, reconhecido por diversos governos como vencedor do pleito presidencial.
— O Marco fala com ela o tempo todo. Estamos em comunicação constante com o governo — limitou-se a dizer Trump.
As declarações reforçam o temor de que a política externa americana caminhe para uma intervenção prolongada na Venezuela, sem garantias de transição democrática ou de respeito à soberania do país.
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