Moradores enfrentam dificuldades após desabamento de ponte que liga Pirenópolis à cidade de Vila Propício
Depois de quase cinco anos sem uma solução definitiva, moradores do distrito de Lagolândia, em Pirenópolis, voltaram a enfrentar uma situação crítica após a força das chuvas arrastar mais uma ponte improvisada sobre o Rio do Peixe, na GO-479, rodovia que liga o distrito ao município de Vila Propício.
A ponte de madeira, construída pela própria comunidade há cerca de dois anos, não resistiu à cheia recente e deixou a população praticamente isolada, agravando um problema que teve início ainda em 2021, quando a estrutura original de alvenaria foi destruída por uma grande enchente.
Desde então, o cotidiano dos moradores tem sido marcado por improvisos, riscos constantes e longos deslocamentos. Sem qualquer tipo de ponte, os moradores de Lagolândia passaram a percorrer cerca de 30 quilômetros a mais para acessar a Vila Propício. Antes da destruição, a ponte, ainda que precária, era utilizada diariamente por pedestres, ciclistas e motociclistas.
Após anos de pedidos e reivindicações, a construção de uma nova ponte teve início em maio de 2025, com previsão inicial de conclusão em dez meses. No entanto, relatos da comunidade apontam lentidão nos trabalhos. Com a recente cheia do Rio do Peixe e o desaparecimento da pinguela, a situação se tornou mais grave, reforçando a sensação de abandono e incerteza quanto ao prazo real da obra.
Em entrevista ao Jornal Opção, a moradora Waldetes Aparecida Rezende, de 64 anos, relatou o impacto prolongado do problema. “Eu moro aqui há mais de 40 anos e ajudei no dia que foi a enchente em novembro de 2021, e foi muito triste. Mais de 30 casas foram danificadas ou foram totalmente destruídas, tem pessoas que nem puderam voltar para casa”, afirmou.
Segundo Waldetes, desde a destruição da ponte original, promessas de reconstrução se sucederam sem avanços concretos. Ela também criticou o ritmo das obras iniciadas recentemente. “A equipe da construção ficou pouquíssimo tempo. Aí eles foram embora e até então ficaram só dois funcionários”, relatou.
A moradora afirmou ainda que a presença reduzida de trabalhadores e a falta de equipamentos reforçam a desconfiança da população. “Não tem equipamento, não tem engenheiro, não tem nada. Eu acho que é só para dizer que está sendo cumprido o que foi pedido através do Ministério Público”, declarou.
De acordo com ela, fazendeiros da região chegaram a acionar o Ministério Público devido às dificuldades, e alguns acabaram vendendo suas propriedades diante da falta de acesso.
Outro ponto de preocupação é o risco constante de acidentes. “Já teve alguns acidentes ali e corre o risco de acontecer uma tragédia, né?”, alertou Waldetes. Ela relatou quedas de motociclistas da pinguela e destacou que crianças e idosos, especialmente pessoas com problemas de equilíbrio, não conseguem atravessar. “Graças a Deus que não aconteceu pior”, acrescentou.
Além dos impactos sociais, a situação prejudica o turismo local. A região possui atrativos naturais, mas visitantes que desconhecem o problema enfrentam desvios longos e dificuldades para chegar ao destino.
O Jornal Opção entrou em contato com a Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra) para obter mais detalhes sobre o andamento da obra, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço está aberto para futuros posicionamentos.
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