Mortes por afogamento crescem mais de 400% em três anos em Goiás
Desde 2020, ao menos 285 pessoas morreram por afogamento em Goiás, segundo dados do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBM-GO) obtidos pelo Jornal Opção. As informações têm como base as fichas de resgate da corporação e se referem a atendimentos realizados ao longo dos últimos seis anos, período marcado por oscilações anuais significativas.
De acordo com o levantamento, 2023 foi o ano com maior número de mortes, totalizando 77 óbitos, seguido por 2025, com 58 mortes, e 2024, com 51 casos. No mesmo intervalo, o CBM-GO registrou 780 atendimentos relacionados a afogamentos, com números anuais que acompanham a variação dos óbitos. Também em 2023 foi registrado o maior volume de ocorrências, com 178 atendimentos, seguido de 2025, com 157, e 2024, com 146 ocorrências.
Segundo o tenente-coronel Luiz Eduardo Lobo, do CBM-GO, as variações nos números são consideradas naturais e dependem de fatores como período do ano e locais de maior circulação de pessoas.“As ocorrências apresentam oscilações ao longo dos anos, variando em número e local, de acordo com determinadas épocas. No entanto, a maioria dos casos acontece nos meses de férias — janeiro, julho e dezembro — quando há maior convivência das pessoas com ambientes aquáticos”, explica em entrevista ao Jornal Opção.
Ainda conforme o oficial, o afogamento está, em geral, associado ao desrespeito às normas básicas de segurança. “O afogamento sempre decorre de um desrespeito às condições de segurança por parte das pessoas que estão desfrutando do meio aquático. Por isso, a incidência desse tipo de ocorrência oscila ao longo dos anos”, afirma.
Perfis e ambientes de risco
O tenente-coronel destaca que os casos se dividem, em linhas gerais, em dois perfis principais, conforme o tipo de ambiente.
Nos ambientes naturais, como rios, lagos e represas, a maioria das vítimas é composta por homens adultos. Para esses casos, o militar reforça a importância do uso de colete salva-vidas e do não consumo de bebidas alcoólicas.
Tivemos um caso recente de um rapaz que faleceu no Lago Corumbá, em Alexânia. Ele estava em um caiaque com amigos e nenhum deles utilizava colete salva-vidas
Já nos ambientes artificiais, como piscinas, as vítimas são, em sua maioria, crianças. Nessas situações, a orientação é para que haja vigilância constante dos responsáveis, além do cuidado com dispositivos infláveis. “Não se deve confiar em boias de braço, pois elas podem desinflar. A supervisão de um adulto deve ser permanente”, alerta.
Afogamentos em alagamentos urbanos
O militar também chama atenção para os riscos de afogamentos em alagamentos urbanos, comuns durante períodos de chuvas intensas, e orienta a população sobre medidas de segurança.
“Se a pessoa estiver a pé, não deve tentar atravessar a via se a água estiver acima do meio-fio. É preciso procurar um local seguro e aguardar o nível da água baixar, pois essa altura já é suficiente para arrastar uma pessoa para um bueiro ou buraco aberto”, explica.
No caso de quem esteja dentro de um veículo em risco de ser arrastado, a recomendação é acionar imediatamente os bombeiros pelo 193.
“Se houver risco de o veículo ser arrastado, a orientação é ligar para o 193, abrir os vidros e destravar o cinto de segurança. Em último caso, se a água começar a invadir o veículo, a pessoa deve subir no teto e aguardar o resgate”, orienta.
Números anuais de atendimentos e óbitos por afogamento em Goiás
Dados confirmados pelo CBM-GO:
- 2020: 57 atendimentos | 14 óbitos
- 2021: 135 atendimentos | 43 óbitos
- 2022: 105 atendimentos | 41 óbitos
- 2023: 178 atendimentos | 77 óbitos
- 2024: 146 atendimentos | 51 óbitos
- 2025: 157 atendimentos | 58 óbitos
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