Uso de maconha pode comprometer a saúde bucal e demandar atenção redobrada, alerta especialista
O consumo de maconha pode trazer impactos diretos à saúde bucal, especialmente quando associado ao fumo, segundo especialista ouvido pelo Jornal Opção. Entre os principais efeitos estão a redução do fluxo salivar, maior risco de cáries e doenças gengivais, além de possíveis complicações em procedimentos odontológicos que envolvem anestesia e cicatrização.
De acordo com o cirurgião-dentista Pedro H. Moreira, mestre em Clínica Integrada, especialista em Prótese Dentária e Dentística Restauradora e doutorando em Dentística Restauradora, a saliva desempenha papel central na proteção da boca. “O uso de maconha, assim como tabaco, cigarro eletrônico ou narguilé, pode reduzir o fluxo salivar. Uma saliva saudável previne muitas doenças, e quando esse fluxo diminui, o risco de cáries e, principalmente, de doenças gengivais aumenta”, explica.
Segundo ele, não há uma relação direta e automática entre a maconha e o surgimento de cáries ou periodontite, mas o contexto do consumo pesa. “Comer um brownie comum ou um brownie com maconha e não escovar os dentes vai ter o mesmo efeito para as bactérias cariogênicas. O problema maior é a boca seca causada pelo ato de fumar, seja uma substância lícita ou ilícita, porque isso favorece o acúmulo de biofilme e reduz a proteção natural da saliva”, afirma.
A chamada “boca seca” é um dos efeitos mais relatados. “Sem um fluxo salivar saudável, a pessoa pode desenvolver doenças periodontais. Além disso, muitos usam chicletes ou doces para mascarar o cheiro da fumaça, e esses produtos são cariogênicos. A redução da saliva acaba desencadeando uma cadeia de problemas”, destaca.
Quando comparado ao cigarro tradicional, os danos também se aproximam. “Basicamente, sim, os prejuízos são semelhantes quando a maconha é fumada. A fumaça contém substâncias irritantes e tóxicas, causa inflamação da mucosa, pode escurecer os dentes, alterar o paladar e aumentar o risco de doenças periodontais. Os danos térmicos à gengiva e os efeitos inflamatórios são parecidos”, pontua o dentista.
Outro ponto frequente é o mau hálito e o surgimento de manchas. “Com certeza há risco aumentado. A fumaça e a redução da saliva favorecem o escurecimento dos dentes e o hálito desagradável. Isso, porém, não impede o paciente de realizar limpezas semestrais ou até clareamento dental, desde que a gengiva esteja saudável”, ressalta.
Nos procedimentos odontológicos, a atenção deve ser redobrada. “Aqui a conversa muda. É fundamental que o paciente seja franco e informe o consumo de maconha antes de extrações, cirurgias ou implantes. O uso pode alterar a resposta inflamatória, reduzir a oxigenação dos tecidos quando fumado e interferir na cicatrização”, explica. Ele lembra que o próprio ato de fumar pode prejudicar o coágulo essencial à cicatrização. “Isso vale até para usar canudo ou tomar milk-shake logo após a extração”, completa.
Sobre infecções e inflamações, o alerta se estende a qualquer tipo de fumo. “Usuários frequentes de qualquer forma de fumo podem ter maior propensão a inflamações gengivais e estomatites, principalmente quando há higiene deficiente associada à boca seca”, diz.
A forma de consumo também influencia os riscos. “O uso fumado causa mais danos diretos por causa da fumaça e do calor. Já os comestíveis não afetam a mucosa pela combustão, mas podem aumentar o risco de cáries devido ao açúcar presente em produtos como brownies e brigadeiros”, observa.
Para Moreira, o uso contínuo não necessariamente mascara sintomas, mas pode atrasar o diagnóstico. “Homens fumantes, em geral, procuram menos atendimento médico e odontológico. Não é que a maconha esconda o problema, mas o comportamento do usuário pode fazer com que ele demore mais a buscar ajuda”, avalia.
As recomendações, segundo o especialista, são semelhantes às dadas a pacientes fumantes. “Visitar o dentista a cada seis meses, escovar os dentes três vezes ao dia, trocar a escova quando as cerdas estiverem gastas e não negligenciar a higiene. Procedimentos estéticos são permitidos, desde que a boca esteja saudável”, orienta.
Ele reforça que informar o dentista é essencial. “Essa informação permite ajustar o tratamento, a anestesia e as orientações de pós-operatório. A maconha pode reduzir a ação de alguns anestésicos, então o foco é sempre a segurança do paciente.”
Por fim, Pedro deixou uma mensagem preventiva e direta. “É preciso entender os impactos do uso na saúde bucal e geral. Manter uma rotina rigorosa de higiene e procurar um profissional diante de qualquer alteração são atitudes fundamentais para preservar a saúde da boca e a qualidade de vida, seja consumidor ou não”, conclui.
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