Setor de games movimenta milhões em Goiás e amplia espaço na economia e na cultura jovem
O mercado de games tem ganhado espaço no cenário econômico de Goiás e já se consolida como um dos segmentos mais dinâmicos da economia criativa no estado. Eventos do setor movimentam milhões de reais, geram centenas de empregos temporários e ampliam o alcance de uma indústria que vai além do entretenimento, impactando tecnologia, cultura e consumo.
O que antes era visto como atividade restrita a jovens e sem relevância econômica, hoje se apresenta como vetor de desenvolvimento. A expansão de eventos, a profissionalização dos campeonatos e o crescimento do público evidenciam uma mudança de percepção sobre os jogos digitais.
Um dos principais exemplos desse avanço é o Go Game Festival, realizado em Goiânia. Na edição anterior, o evento ocupou mais de oito mil metros quadrados no Passeio das Águas Shopping, durante três dias. Para 2026, a expectativa é de ampliação tanto do espaço quanto da duração.
Além dos jogos, o evento reúne diferentes vertentes da cultura geek, com atrações que vão de competições de eSports a apresentações de K-pop, concursos de cosplay e jogos mobile, atraindo públicos diversos, de crianças a adultos.
Para entender o crescimento do setor em Goiás e seu impacto econômico, o Jornal Opção ouviu Edson Júnior, fundador da Federação Goiana de Futebol Digital (FGFD), e Ana Calixto, presidente da Associação Goiana de Jogos Digitais (AGES), responsável pela organização do festival.
Mudança de percepção
Edson Júnior relembra que o universo dos games enfrentava forte preconceito no passado, associado à falta de ocupação ou produtividade. Segundo ele, a criação de campeonatos e a ocupação de espaços públicos foram determinantes para mudar essa imagem.
“Os jogos eram vistos como coisa de gente desocupada. Quando começamos a organizar campeonatos e levar os eventos para shoppings e espaços maiores, o cenário começou a mudar. A federação cresceu, os campeonatos se expandiram e ganhamos reconhecimento”, afirma.
Ele também destaca a transformação no perfil do público. Antes majoritariamente masculino e jovem, hoje o setor reúne pessoas de diferentes faixas etárias e gêneros. “Hoje os adeptos vão de 8 a 60 anos, com participação equilibrada entre homens e mulheres”, diz.
Ana Calixto reforça que a presença feminina tem crescido e contribuído para mudanças no próprio desenvolvimento dos jogos. “O público feminino sempre foi grande, mas participava de forma mais discreta. Hoje estamos desmistificando esse espaço. Os próprios jogos mudaram, com personagens femininas menos sexualizadas e mais diversas, como vemos em títulos populares atuais”, afirma.
Goiás como polo emergente
Segundo Edson, Goiás tem histórico relevante no cenário nacional de games, especialmente no futebol digital, com participação em competições internacionais e formação de atletas reconhecidos. “O estado já foi um grande celeiro de jogadores. Participamos de mundiais e revelamos nomes importantes no cenário nacional e internacional”, afirma.
Ana destaca que os eventos realizados em Goiás têm um diferencial na diversidade do público. “É um evento que reúne todas as gerações. Crianças, jovens, pais e até avós participam. O público goiano é exigente e carente desse tipo de iniciativa, o que impulsiona ainda mais o crescimento do setor”, diz.
Impacto econômico e geração de empregos
A expectativa para a próxima edição do Go Game Festival é de expansão significativa, tanto em estrutura quanto em impacto financeiro. Segundo a organização, a movimentação pode chegar a até R$ 5 milhões. “A gente fala de hotelaria, transporte, consumo dentro do shopping e contratações diretas e indiretas. É um evento que movimenta toda a economia ao redor”, explica Ana.
A estrutura também exige aumento expressivo na mão de obra. De uma equipe fixa de sete pessoas, o evento passa a mobilizar até 80 profissionais diretamente, além de equipes terceirizadas. “É muita gente envolvida, desde staff até produção de palco, cenografia e tecnologia”, afirma.
Edson também chama atenção para o tamanho do público consumidor no Brasil, o que atrai investimentos e patrocinadores. “Jogos como Free Fire e Valorant têm milhões de jogadores no país. Isso atrai grandes marcas e aumenta o interesse de patrocinadores”, diz.
Lei atambém: Escritório ligado ao desenvolvimento de GTA 6 é isolado após explosão e incêndio na Escócia
O post Setor de games movimenta milhões em Goiás e amplia espaço na economia e na cultura jovem apareceu primeiro em Jornal Opção.