Para o Irã, a guerra não termina quando Trump quiser
Israel está se preparando para a possibilidade do presidente Donald Trump anunciar o fim da guerra com o Irã nos próximos dias e não descarta a possibilidade do líder americano interromper os ataques unilateralmente, mesmo que não tenha obtido um acordo formal com Teerã.
Na terça-feira, 24, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que “quase todos os objetivos foram atingidos na guerra”, ao mesmo tempo, o presidente da Câmara dos Representantes e membro do Partido Republicano, Mike Johnson, afirmou, em nota, que “a Operação Fúria Épica está em fase final e que acabará em breve.”
Logo no começo do conflito, o Pentágono previu, aproximadamente, oito semanas de combate, mas, com os ataques bem sucedidos logo no início, que incluem a morte do líder supremo Ali Khamenei e a destruição quase que total dos depósitos de mísseis do regime, o Centro de Comando acabou reduzindo para cinco semanas de confronto. Esse prazo se encerra nos próximos dias.
O gabinete de segurança de Israel também já acena para a possibilidade de “fim de jogo”, mas aguarda a captura total da ilha Kharg ou do controle absoluto do Estreito de Ormuz pelas tropas americanas, o que significaria tirar do Irã a continuidade das ameaças permanentes sobre o fechamento da passagem estratégica do Golfo Pérsico, responsável por 25% do petróleo e gás mundial.
Trump já não usa mais as questões relacionadas à abertura do Estreito De Ormuz como condição para encerrar os confrontos no Oriente Médio. Nos últimos dias, ele vem afirmando que o conflito está no fim e chegou a declarar, em entrevista na Casa Branca, que “venceu a guerra”. O presidente ainda disse que o regime será forçado a realizar mudanças internas, já que todo alto escalão da República Teocrática foi eliminado.
De acordo com Trump, a pressão militar interrompeu, definitivamente, os planos do Irã sobre o desenvolvimento e obtenção de armas atômicas. Ele ainda disse que Teerã ofereceu aos Estados Unidos um “grande presente” relacionado à gás e petróleo, mas sem especificar qual seria essa oferta, numa indicação de que seu governo estaria conversando com as pessoas certas.
Ao mesmo tempo, o presidente dos Estados Unidos esclareceu que a ameaça feita no último final de semana sobre destruir toda rede energética do Irã foi alterada devido ao avanço das conversas diplomáticas, mas não deixou de enfatizar sobre a superioridade dos Estados Unidos em controlar todo espaço aéreo iraniano.
Sem acordo
O Irã nega qualquer tipo de negociação com os Estados Unidos. O ministro de Relações Exteriores, Abbas Aragahchi disse, apenas, que o regime avalia a proposta enviada pelos americanos, mas já reiterou que não houve e não há qualquer tipo de contato direto com interlocutores. Ele também afirmou que os Estados Unidos não conseguiram atingir os seus objetivos nessa guerra e que, o caminho para o fim do conflito, passa pelo encerramento total dos bombardeios, além de compensação pela destruição, e que o país não aceitará um cessar-fogo temporário.
Enquanto isso, a Guarda Revolucionária se prepara para prováveis mudanças nos combates já que os Estados Unidos estão enviando milhares de paraquedistas e soldados para a região do Golfo. Por isso, o regime mandou espalhar minas marítimas ao longo da costa e da ilha Kharg, pra onde já encaminhou milhares de militares, sinalizando disposição para lutar até o fim. Ao que parece, para o Irã, a guerra não termina quando Donald Trump quiser.
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